Home Data de criação : 07/04/29 Última atualização : 08/12/04 17:07 / 415 Artigos publicados
 

Porto Monumentos

Pelourinho de Vila do Conde  (Porto Monumentos) escrito em quinta 04 dezembro 2008 17:07

Foto: cmviladoconde


A muito antiga povoação de Vila do Conde pertenceu, ainda antes da nacionalidade, ao Mosteiro de Guimarães. Foi mais tarde terra reguenga. Teve primeiro foral dado por D. Dinis, em 1296, e foral novo de D. Manuel, datado de 1516. Na sequência deste foral foi erguido um pelourinho, na praça que se viria a chamar de Velha , por mais tarde se ter aberto uma nova. A Praça Nova foi aberta em 1538, no reinado de D. João III, e nela foram então construídos novos edifícios dos Paços do Concelho. No mesmo ano, deliberou o monarca que o pelourinho fosse transferido para esta praça; porém, durante as obras de montagem do mesmo, em 1539, o povo decidiu a sua destruição, por ser símbolo antigo de aplicação de justiça que já não competia aos municípios. Quase no final da centúria, em 1582, é ordenada a sua reconstrução na Praça da Ribeira, certamente para evitar desta vez a proximidade da picota com os paços concelhios. O pelourinho regressou enfim à Praça Nova, hoje Praça Vasco da Gama, em 1913. Está portanto situado nas imediações da Câmara Municipal, e igualmente da bela igreja matriz de Vila do Conde, igualmente construída por iniciativa de D. Manuel.

O pelourinho assenta numa singela plataforma oitavada, de grande altura, a cujo topo se acede através de quatro pequenos degraus abertos numa das suas faces. Esta plataforma será de construção moderna, sendo as suas faces percorridas por inscrições alusivas ao atribulado percurso do pelourinho. A coluna possui base oitavada, encimada por moldura boleada com a mesma secção. O fuste é constituído por quatro colunelos lisos, torsos, cingidos a meia altura por um anel encordoado, e perto do topo por uma moldura semelhante, mas adaptada ao contorno das vergas. É encimado por original gaiola, ou roca aberta, muito ornamentada. A gaiola possui a metade inferior em taça muito ornamentada, e a metade superior vazada por oito orifícios, envolvidos por cadeias de argolas decorativas. O conjunto é rematado por pequena esfera lisa, onde se crava a grimpa, formada por uma haste em ferro de onde sai um braço empunhando uma espada.

O monumento, de aparência algo híbrida, certamente em função de diversas intervenções, será composto por elementos manuelinos conservados, sobre base moderna. A grimpa é curiosamente semelhante à do pelourinho de Nisa, remontado (refeito?) no século XX.

 

Texto: Sílvia Leite / IPPAR

 

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Igreja de São João Baptista ou Matriz de Vila do Conde  (Porto Monumentos) escrito em quarta 03 dezembro 2008 16:52

Foto: SergioPT - (12/02/08)


A primitiva matriz de Vila do Conde, um edifício medieval de que não resta qualquer vestígio, situava-se no Monte Castro de São João, fora do perímetro urbano. Cerca de 1496 foi ordenado que se edificasse uma nova igreja no Campo de São Sebastião, cuja obra ficou a cargo do mestre biscainho João Rianho.

Durante a sua peregrinação a Santiago de Compostela em 1502, D. Manuel I ficou hospedado em Vila do Conde, e no regresso da viagem enviou uma carta para a edilidade local onde concedia financiamento à obra e enviava uma planta com a traça do novo templo.

Na primeira fase de edificação empreendeu-se a construção da cabeceira, terminada em 1506, e a abóbada da abside, colaborando na campanha o mestre Gonçalo Anes e o biscainho Rui Garcia de Penagós, que em 1509 dirigia a fábrica de obras.

No ano de 1511 a direcção das obras era entregue ao arquitecto João de Castilho, e no ano de 1515 a estrutura estava terminada, abrindo-se ao culto três anos depois.

De planta em cruz latina, composta por três naves de diferentes alturas e cabeceira tripla, a Matriz de Vila do Conde repete o módulo das hallenkirchen manuelinas, de que fazem parte, entre outros, os templos de Freixo de Espada à Cinta, Arronches, ou Azurara (LEITE, 2005, pp. 103-104).

O grandioso portal axial trilobado, obra de João de Castilho, profusamente ornamentado, ladeado por contrafortes e pináculos com cogulhos vegetalistas, dá "um novo tom à edificação" manuelina, sendo o seu modelo repetido no templo de Azuaga, perto de Badajoz (PEREIRA, 1995, pp. 67-68).

Do lado esquerdo da fachada, João Lopes o Moço ergueu em 1573 a torre sineira quadrangular (REIS, 2000, p. 166), cuja maciça estrutura pouco ornamentada e excessivamente vertical sobressai no ritmo da frontaria.

No interior destaca-se a cobertura da capela-mor, em abóbada de "combados" da autoria de Castilho, e as abóbadas dos absidíolos, uma com lanternim e outra decorada com baixos relevos que apresentam vestígios de policromia. As duas capelas abertas no transepto, de edificação quinhentista, possuem retábulos de talha dourada barroca e azulejos seiscentistas.

Texto: Catarina Oliveira - IPPAR/2006


Foto: Paulo Almeida Fernandes (2006) - IPPAR

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Igreja de São Cristovão de Rio Mau - Vila do Conde  (Porto Monumentos) escrito em terça 02 dezembro 2008 12:54

Foto: Paulo Almeida Fernandes - 2006 - IPPAR


A pequena igreja de Rio Mau tem sido uma das mais debatidas obras românicas do nosso país, pela qualidade e importância das realizações escultóricas que congrega. Quer o complexo programa iconográfico dos capitéis da cabeceira, quer as representações dos tímpanos dos três portais são manifestações maiores da nossa arte do século XII e princípios de XIII e a sua análise tem conferido ao monumento um estatuto singular no panorama da arte românica em Portugal.

O mosteiro já existia em 1103, estando dedicado a São Cristóvão, pelo que é de admitir que a sua fundação se tenha verificado nas derradeiras décadas do século XI, altura em que a liturgia romano-cluniacense entrou no antigo reino de Leão, substituindo as anteriores determinações hispânicas, com a consequente renovação de oragos e de cultos.

Os vestígios materiais mais antigos, todavia, não são de época tão recuada e estão catalogados a partir de 1151, ano em que o sacerdote Pedro Dias terá patrocinado a obra românica, de acordo com uma inscrição comemorativa do arranque dos trabalhos, localizada "no ângulo sudeste do interior da ábside". Desta primeira época data a cabeceira, verdadeira obra maior do nosso românico, apesar de, em termos volumétricos e planimétricos, não se afastar de muitas outras edificações modestas contemporâneas, de escassa altura, com dois tramos abobadados. Ela "ficou a dever-se a um artista que conhecia perfeitamente a escultura galega", facto que coloca esta obra em plena zona de expansão do românico do Alto Minho, constituindo, mesmo, o melhor exemplo desse vocabulário regional em terras a Sul do rio Lima.

O principal interesse desta parcela do edifício reside nos seus capitéis, que veiculam um programa iconográfico de difícil explicação e ainda longe de totalmente esclarecido. O que mais tem suscitado interesse por parte dos investigadores é o capitel do lado Sul do arco triunfal, decorado nas suas três faces: um jogral na frente voltada à nave; dois homens prendendo uma mulher na principal e uma mulher transportando uma figura com um bastão nas mãos na última. "Vários autores debruçaram-se sobre esta peça mas nenhuma das interpretações defendidas (...) se parece coadunar totalmente com a estrutura iconográfica do capitel". Desde um episódio da Chanson de Roland, à evocação de São Cristóvão, passando pela alusão a um ataque viking ou ao desastre de Badajoz de D. Afonso Henriques, não foi ainda possível chegar a um consenso e, igualmente importante, uma leitura que se insira no conjunto iconográfico mais vasto.

A nave do templo e os seus três portais pertencem já a um momento posterior em relação à cabeceira. Carlos Alberto Ferreira de Almeida situou a conclusão dos trabalhos já no século XIII, pelas características do portal Sul e aqui assinala-se uma alteração da orientação da empreitada, com a introdução de temas vincadamente beneditinos. No tímpano do portal Norte existe a "única cena de luta representada num tímpano" românico português, um grifo e um dragão, numa provável alusão a Cristo contra Satanás. Mais importante é o tímpano do portal principal, onde se retratou um bispo (com báculo e a mão direita erguida, como que abençoando) ladeado por dois diáconos e pelos símbolos do Sol e da Lua, possível representação de Santo Agostinho, autor da Regra dos Cónegos Regrantes, a quem pertencia a obra.

Em 1443, o mosteiro foi extinto e anexo ao de São Simão da Junqueira. Com escassas obras ao longo da época moderna, e perdidas as dependências monásticas, só nos finais da década de 60 do século XX se procedeu ao seu restauro. O coro-alto, presumivelmente barroco, foi demolido em 1980, adquirindo o templo, então, o aspecto que mantém até hoje.

 

Fonte: (PAF) / IPPAR

 

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Igreja de Santa Maria de Azurara ou Igreja Matriz - Vila do Conde  (Porto Monumentos) escrito em domingo 30 novembro 2008 10:35

Foto: Phobos


Constituída como paróquia em 1457, a povoação de Azurara existia já desde o reinado de D. Afonso III, integrando então a freguesia de Pindelo. Depois da desanexação da paróquia de São Salvador de Canidelo, a Capela de Nossa Senhora da Apresentação passou a acolher as cerimónias religiosas da nova freguesia.

No entanto este templo cedo se mostrou insuficiente para albergar toda a população local, pelo que em 1502 o povo de Azurara, aproveitando a passagem de D. Manuel por aquelas terras quando este se dirigia a Compostela, pediu ao rei permissão para edificar uma nova igreja paroquial.

A construção da nova matriz, dedicada a Santa Maria a Nova, ter-se-á iniciado nesse mesmo ano, tendo sido provavelmente terminada em 1522, data de conclusão do espaço da capela-mor. O edifício resultante assemelha-se muito à matriz de Vila do Conde, edificada na mesma época, embora esta apresente uma estrutura mais imponente.

O conjunto evidencia-se por algum ecletismo, derivado certamente da longa campanha de obras de que resultou a sua edificação. A estrutura manuelina, de grande sobriedade, é decorada com um portal principal decorado com motivos de grotesco , cujo conjunto é rematado por um nicho com a imagem de Nossa Senhora da Apresentação, vinda da primitiva capela de Azurara com a mesma designação. Este conjunto de linguagem ao romano derivou certamente dos modelos traçados na Matriz de Caminha, e que a partir das primeiras décadas do século XVI se alastraram a todo o Noroeste português.

Do lado esquerdo da fachada foi construída no final do século XVII a torre sineira, com balcão no segundo registo e oito aberturas sineiras no topo, cujo modelo é decalcado da torre da matriz de Vila do Conde, edificada pelo mestre João Lopes o Moço durante a década de 80 do século XVI. A estrutura exterior das naves é rematada superiormente por uma linha de ameias, e a cabeceira encontra-se flanqueada por quatro contrafortes.

O interior é composto por três naves de cinco tramos marcados por arcos de volta perfeita assentes em pilares lavrados com motivos vegetalistas. A capela-mor, de planta quadrada, é coberta por uma abóbada de nervuras de gosto manuelino, concluída em 1522 pelo mestre Gonçalo Lopes, conforme nos indica a inscrição feita junto à mesma.

No programa decorativo interior destacam-se ainda o revestimento azulejar da cabeceira, datado do século XVIII e proveniente da oficina de António Rifarto (Idem, ibidem) e as pinturas retabulares. Os altares das naves laterais apresentam pinturas quinhentistas, salientando-se os painéis maneiristas do retábulo de Nossa Senhora do Rosário, pintados cerca de 1574 por Francisco Correia. O actual retábulo da capela-mor foi executado em 1720 pelo entalhador Francisco Machado.

 

Texto: Catarina Oliveira - IPPAR 2005

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Igreja de São Pedro de Roriz - Santo Tirso  (Porto Monumentos) escrito em segunda 24 novembro 2008 13:49



Foto: Arples


Durante décadas, a historiografia consagrou ao mosteiro de Roriz um estatuto de obra unitária e de arranque do foco românico que nasceu em torno da bacia do Rio Sousa pelo final do século XII e primeiras décadas da centúria seguinte. O estudo monográfico que Manuel Luís REAL, 1982 lhe consagrou (em parceria com Pedro Sá), revelou um edifício inteiramente diferente, com cinco fases construtivas e um estatuto bem mais diluído na mancha de edifícios românicos no Douro Litoral.

Desconhecem-se as origens do monumento e discute-se, sobretudo, a possibilidade de aqui ter-se implantado um primeiro edifício ainda durante o século IX. A opinião mais consensual coloca o impulso construtivo inicial na segunda metade do século XI, por intermédio de D. Elvira Touriz, ainda viva em 1141. Por outro lado, a primeira referência documental ao mosteiro data de 1096, dado que viabiliza aquela hipótese. Dessa primeira fase de vida do conjunto pouco resta, à excepção de algumas peças descontextualizadas, incorporadas nas paredes em reformas posteriores (um fragmento de capitel, uma imposta e duas bases).

Quase um século depois, e ainda que não exista evidente prova documental, o mosteiro foi entregue aos crúzios de Santa Cruz de Coimbra, que terão iniciado um novo capítulo na vida do conjunto, reedificando-o desde as fundações. A obra iniciou-se pela ábside, construída num só momento, datando dessa fase um vocabulário escultórico vegetalista e geométrico muito unitário e qualitativamente relevante, como se comprova pelo requinte dado às janelas do exterior, ou pelos ângulos nítidos e de bom recorte da folhagem que cobre os capitéis do interior.

A empreitada sofreu um primeiro revés quando se laborava na nave, altura em que terá caído a abóbada da ábside. Deu-se então início à segunda fase construtiva, que se supõe ter ocorrido algum tempo depois de interrompida a anterior, uma vez que os artistas agora incorporados são substancialmente diferentes. Entre os canteiros que assinam os silhares, com siglas, aparece um "IO", identificado como Ioannis, possível mestre de todo o estaleiro, pelo facto de a sua sigla ser das poucas alfabetiformes. A ele se ficou a dever a reconstrução da abóbada da ábside (para o que teve de rectificar o prumo das paredes do interior, recorrendo a dispositivos mais efectivos de contrafortagem) e o lançamento da nave, em cujo portal meridional se assiste à introdução de um motivo decorativo muito frequente no românico bracarense - o enxaquetado.

Só no 1º quartel do século XIII, e já durante a terceira fase de obras, se concluiu o prolongamento ocidental do templo, mas não o seu abobadamento. Nesta altura, as desconfianças em relação à estabilidade da capela-mor motivaram a construção de edifícios anexos como meio de contrafortagem (primeiro a Sala do Capítulo, a Sul, e depois a pequena capela do lado Norte). Esta capela, originalmente dedicada a Santa Maria, está datada por uma epígrafe de 1258, correspondente já à quarta fase de obras, e, junto ao campanário, é ainda possível identificar a assinatura do mestre responsável: MR TL - Magister Telo. O derradeiro impulso na obra ocorreu já nos finais do século XIII, quando novos canteiros, formados na oficina de Paço de Sousa, terminaram o abobadamento do corpo e o sector ocidental. Na fachada principal, a rosácea e os colunelos do portal são a mais inequívoca marca dessa filiação oficinal, mas também a escultura figurativa, introduzida em Roriz apenas nesta fase. Quadrúpedes de duplo corpo ligados pelo focinho no ângulo do capitel ou o busto que espreita de um pequeno óculo (um tema que alude ao castigo), entre outros exemplos figurativos, provam como Paço de Sousa foi o principal estaleiro da região e como os artistas aí formados se deslocaram para Roriz.


Texto: Paulo Fernandes | DIDA | IGESPAR, I.P. 16.07.2007

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