A Torre dos Clérigos é o ex-libris da
freguesia da Vitória, uma das quatro da zona
histórica da bonita cidade Invicta. Vitória confina
com Miragaia, Santo Ildefonso, Cedofeita, Sé e S. Nicolau e
é um dos seus principais pontos de atracção.
Em todo o ano, vislumbram-se turistas pelas ruas, algumas delas bem
estreitas, uma característica comum a todas as zonas
históricas e que despertam bem o interesse dos visitantes de
outros países. Quem nasce na Vitória jamais perde as
raízes da Invicta, ficando para sempre com elos de
ligação à freguesia. E a
tradição ainda é o que era na Vitória.
Não faltam celebrações: festas sanjoaninas, em
honra do S. Roque da Vitória, em Agosto, a festa do Senhor
da Boa Fortuna, com procissão - que percorre algumas das
artérias da zona histórica e se realiza no
último fim-de-semana de Agosto -, bem como o S. Martinho, a
festa de Natal, o 25 de Abril e o 1.º de Maio. Uma das lendas
prende-se com a origem do nome Vitória. Esta lenda
encontra-se no livro Portugal Antigo e Moderno, de Pinho Leal:
"Dizem uns que a origem de Rio Tinto, Campanhã, Batalha e
Vitória proveio de um grande combate ferido, entre mouros e
cristãos em volta desta cidade, e que os títulos
supra comemoram os triunfos alcançados pelos cristãos
nessas sanguinolentas batalhas, e os outros dizem que o
título de Vitória provém da conversão
de grande parte dos judeus que viviam na judiaria do Porto, em
volta do local onde se erigiu a igreja que simbolizava uma
conquista moral não um triunfo guerreiro". A freguesia surge
aquando à origem de S. Nicolau e S. João de
Belomonte, depois a criação da Sé, a primeira
a existir, até 1583. O património histórico
é uma das grandes virtudes desta pequena localidade, que
contabiliza cerca de 4000 habitantes. O mosteiro de S. Bento da
Vitória Beneditino e a Igreja Nossa Senhora da
Vitória são apenas dois dos bonitos monumentos que
enriquecem o vasto património desta riquíssima
freguesia. Também aqui nasceu o
Porto…
É
sobremaneira difícil falar-se, com um mínimo de
profundidade, de uma freguesia urbana como a de Santo
Ildefonso.
Essa dificuldade resulta de muitos e díspares motivos.
É a freguesia de Santo Ildefonso caracterizada por aspectos
típicos de uma grande cidade, situada que está no
coração dela. Uma grande área, uma área
onde acontece a maior parte da fenomenologia urbana, onde os
habitantes são de fluxo dinâmico, onde os moradores
residentes não ocupam um leque percentual idêntico
(por defeito) ao de outras freguesias do Porto, mas ainda assim,
eivada de circunstancialismos de fundamental importância para
a vivência de uma cidade de trabalho e de cultura: é
na freguesia de Santo Ildefonso que residem as maiores actividades
comerciais, um número soberbo de serviços, os centros
culturais predominantes, a tradição da difusão
informativa, nomeadamente através dos jornais diários
do Porto, prestigiados e prestigiosos, com raro paralelo no
restante território nacional.
Espantosamente, é a Junta de Freguesia de Santo Ildefonso,
uma das que menos se conhecem em termos de origem
histórica.
Para um estudo prévio, elaborado pela actual Junta de
Freguesia, no sentido de ser conseguida a publicação
deste trabalho, detectaram-se três linhas num exemplar da
revista "O Tripeiro" n.0 19 (1º Ano), de 1 de Janeiro de 1909.
A págs. 14, sob o título "VÁRIA" imprimiram-se
algumas bases de informação. A terceira referia:
"Freguezia De Santo Ildefonso - A Freguezia De Santo Ildefonso no
Porto formou-Se a 24 de Junho de 1634".
Apenas assim,
sem mais qualquer outra fundamentação.
Prosseguindo
a leitura de exemplares sucessivos de "O TRIPEIRO", cuja
redacção, nessa época, se localizava
curiosamente em espaço geográfico pertencente a esta
freguesia (Rua Formosa, 199), encontrou-se ainda algumas notas e
referências, no entanto por demais insuficientes, numa
perspectiva de análise histórica. Assim: um mês
depois ("O Tripeiro" n.0 22, de 1 de Fevereiro de 1909) era
publicado:
" Ainda naquela data (11/9/1759), a freguesia de santo ildefonso
descia ate ao douro e compreendia tudo o que e hoje d'esta
freguesia de São Nicolau, desde os muros dos guindaes ate
aos limites de campanhá ".
E no final do mesmo ano, em 1 de Dezembro de 1909, em "O Tripeiro"
n.0 52, um texto assinado por Ricardo Jorge estabelecia:
"... Até 1836 consta o Porto propriamente de sete
freguesias, Sé, Victória, 5. Nicolau, Santo
Ildefonso, Miragaia, Massarelos e Cedofeita. Pelo decreto de
26/11/1836 foram-lhe anexadas Lordelo do Ouro, Campanhã e s.
João da foz; e por carta de lei de 27/8/1837, nova
anexação, a de Paranhos.
A desigual distribuição destas freguesias pedia
reforma das suas circunscrições; deste plano tomou a
iniciativa o bispo eleito, e aprovado superiormente o seu projecto
de portaria de 13/2/1838, procedeu-se a nova
demarcação, fixada por uma comissão onde
entrava o bispo, a câmara e delegados das juntas de
paróquia. Santo Ildefonso, de uma área enorme, foi
desmembrada, creando-se à sua custa uma nova freguesia, a do
senhor do Bonfim. O arredondamento paroquial de 1838 só foi
sancionado pelo decreto de 11/12/1841, sob o referendo de Costa
Cabral.. . "
Todavia, parece-nos importante salientar aqui a data de 1623
há uma referência - D. Rodrigo da Cunha
avançava dessa data um quantitativo da que chamou "Santo
Ildefonso": 1150 habitantes, sendo 1000 de maioridade e 150
menores".
Um estudo de Domingos A. Moreira, sobre as "Freguesias da Diocese
do Porto" confere à freguesia de Santo Ildefonso um
nascimento que foi operado entre esse ano de 1623 e o ano de
1687.
Passemos, entretanto, a uma Pública Forma datada de 6 de
Maio de 1828, certidão atestada pela Câmara no sentido
de:
"À vista dos respectivos títulos ou documentos haija
de attestar-lhes ou certificar-lhes de narrativa se consta ou
existe memória que designe o tempo em que havia huma
só freguesia nesta cidade".
Trata-se de uma certidão da Câmara a pedido do Juiz e
Mesários da Confraria do Santíssimo Sacramento e
Senhor Jesus da freguesia de Santo Ildefonso, solicitando a
precisão, que a certidão da Câmara apontava
para o ano de 1551.
Transcrevemos o texto. A data de 1584 é citada, no entanto,
como desdobramento de freguesias na
cidade.
CERTIDÃO
" Rodrigo freire de
Andrade pinto de Sousa, escrivão da illustrissima
câmara desta cidade do porto e seu termo por sua magestade
fidelissima que deos guarde, faço certo que do livro das
vereaçoens do anno de mil e quinhentos e sincoenta e hum, a
folhas sete verso, consta ser a parrochia da sé a unica em
toda a cidade dando motivo a esta declaração tomada
em camara em congresso de povo se sim ou não deverião
haver confrarias do santissimo sacramento nos conventos de sam
francisco e sam domingos para o povo poder assistir as procissoens
dos domingos terceiros, visto que não cabia na sé
nesses dias e não havia outra parrochia ou confraria no anno
de mil e quinhentos e secenta e hum em huma sentença no
livro segundo dellas a folhas cento e quarenta consta haver
freguezia em santo ildefonço arrabalde da cidade assim como
o haverem já as novas igrejas na cidade no anno de mil e
quinhentos e oitenta e quatro e nellas estabellecidas as confrarias
do santissimo sacramento para as quaes pertendia o senhor bispo
concorresse a confraria do santissimo sacramento da sé com
quatro tochas para cada huma ao que se opozerão em camara
negando-se aquella requezição".
Estes dados
dispersos não podem, com rigor, dizer-nos muito sobre a
formação e os circunstancialismos que a determinaram,
da freguesia de Santo Ildefonso. Um ou outro aspecto são, no
entanto, irrefutáveis. Por exemplo, a sua vasta
extensão, que a tem vindo a caracterizar desde sempre. E a
fundamental importância de que alguns dados
apontam:
- Em 12 de Setembro de 1983, o Presidente da Junta de
Freguesia de Santo Ildefonso, Albino Alves Teixeira,
endereçou um ofício ao Chefe de Divisão do
Arquivo Histórico da Câmara Municipal do Porto. Nesse
ofício foi salientado: "Sabemos que nos fins do
século passado, um prédio onde estavam instaladas as
Escolas Paroquiais de Santo Ildefonso e a respectiva secretaria da
Junta, prédio esse que pertencia ao Conselheiro Miguel
Dantas Gonçalves Pereira, ardeu numa noite de Santo
António, não existindo portanto livros de actas ou
outros documentos que nos certifiquem da formação
legal da Junta de Freguesia". Assim, e a partir das
informações disponíveis, inquiria-se da
possibilidade de confirmar-se aquela data de 24 de Junho de 1634
através dessa via.
A resposta pouco
avançou: ao ofício da Junta seguiu-se o ofício
do Chefe da Divisão do Arquivo Histórico que
referia:
"1. Não parece existir neste Arquivo Histórico
qualquer documento alusivo à criação da
paróquia de Santo Ildefonso;
2. Foi percorrida vária bibliografia, mas as
informações encontradas continuam a ser muito vagas.
Por exemplo, do estudo de Domingos A. Moreira, sobre as "Freguesias
da Diocese do Porto" (pág. 126) apenas se pode confirmar que
o seu nascimento se deu entre 1623 e 1687;
3. Todavia, num livro editado em 1869, da autoria de J. M. Pinto, e
sob o título "Apontamentos para a História da Cidade
do Porto" (pág. 104) volta-se a indicar que "no anno de
1634, a confraria do Senhor Jesus juntou-se à do
Santíssimo Sacramento. Foi elevada a freguesia em 1634,
contando então 1790 almas". Num outro estudo encontramos a
indicação que isso se deu por desmembramento da
freguesia da Sé";
4. É provável que esteja correcta a
informação de "O Tripeiro". Na página 104 de
"Apontamentos para a Cidade do Porto" pode. pois,
ler-se:
Data de
grande antiguidade a fundação da sua primeira Igreja.
Consta que já em 1519 existia uma Igreja com a
invocação de Santo Ildefonso, a qual era extramuros,
próximo da Porta do Cimo da VilIa e aonde era também
venerada a imagem do Senhor Jesus, que tinha a sua respectiva
Confraria. Já em tempos imemoráveis se sepultavam no
Adro desta Igreja as entravadas e em 1592 a confraria concedeu
sepultura aos pobres da Freguesia. No ano de 1634 a Confraria do
Senhor Jesus juntou-se à do SS. Sacramento. Foi elevada a
Freguesia em 1634, contando então 1790 almas
Estes
são, grosso modo, os únicos pontos em que podemos
assentar. O arrabalde de Santo Ildefonso, extramuros, é
portanto antiquíssimo. Como paróquia suburbana era a
mais extensa. Ladeando sempre a muralha Fernandina, principiava no
Senhor do Bonfim e ia terminar nos assentos das Virtudes, limitando
com Campanhã, Paranhos, Cedofeita e Miragaia. Incluía
já no seu âmbito as Ruas de Santo Ildefonso e de Santa
Catarina, a Neta, o Bonjardim, as Hortas, a Natividade e a Rua do
Almada, até à Igreja de Nossa Senhora da Lapa.
Voltando pelo lado poente do Largo de Santo Ovídio dividia
com Cedofeita e Miragaia pela Rua da Sovela, Ferradores, Cordoaria
e Virtudes. A Igreja de Santo Ildefonso encontra-se lá
mencionada em documento do século 13. Ainda em 1560 se
erguia no meio de um campo junto de um souto de Carvalheiras, "fora
da Porta de Cima da Vila".
Era templo pequeno e estava, nos princípios de setecentos,
muito arruinado; foi mandado reedificar em 1730. Próximo
ficava um casal, que antes de 1443 se chamava de João
Ramalde e depois, lugar do Pinheiro. Logo adiante, na actual
Praça da Batalha, junto da Porta de Cima de Vila, o devoto
Baltasar Guedes mandou edificar, em 1590, a elegante capela de
N.Sª da Batalha, demolida em 1924. Mais abaixo, ficava o lugar
dos Carvalhos do Monte; quase encostada ao Postigo do Penedo (que
João de Almada transforma, em 1768, na Porta do Sol)
erguia-se a ermida de Santo António do Penedo, com seu adro
de galilé, e ao lado, a casa solarenga dos Brandões.
Era um dos mais pitorescos recantos do velho Porto, infeliz e
inutilmente destruído em 1887. Ficava em frente do
palácio do visconde de Azevedo (onde estava instalado o
Governo Civil).
A Rua das Fontainhas chamou-se em algum tempo Rua do Regato. Ali
estiveram o Recolhimento das Entrevadas (já existente em
1498), o Hospital dos Lázaros e Lázaras (1558), e o
Recolhimento de N. Srª das Dores (Velhas do Camarão)
fundada em 1819 no Largo do Camarão e viela de N.8 Sr.8 das
Dores, por detrás do Recolhimento das Órfãs,
em S. Lázaro. A alameda deve-se a Francisco de Almada
(1790).
Entre as Ruas das Fontainhas e do Sol, onde
funcionaram os matadouros, chamava-se outrora Vale de Donas, e
existia uma quinta, depois denominada das Fontainhas, que pertenceu
sucessivamente às famílias Pereira de Melo
(capitães-mores de Penafiel), Fontana, Vanzeller e
Alpenduradas.
A Rua de Alexandre Herculano, que liga as
Fontainhas à Batalha, foi aberta em 1877: chamou-se primeiro
Rua Nova da Batalha. Junto da capela de Sant'llafom e de uma
velhíssima Albergaria dos Peregrinos de Cima de Vila",
havia, em 1590, o Campo do Pombal, que entestava com "a estrada que
vai entre as paredes", para S. Lázaro. Deve ser remota
referência à Rua de Entreparedes, à qual se
seguia a do Reimão, hoje Avenida Rodrigues de
Freitas.
O Campo de S.
Lázaro estava antigamente plantado de frondosos carvalhos e
castanheiros; ali esteve, desde o séc. XIV e vindo da
Ribeira, o Hospital dos Gafos "de Cima de Vila de Mijavelhas", aos
quais el rei D. João 1 confirmou os antigos
privilégios por c. de 28-IX-1423 (A. D. 1385). Ainda existem
aqui dois edifícios que merecem especial
menção: A igreja e Recolhimento das
Órfãs, fundado em 1724 pelo padre Manuel de Passos e
Castro, e o convento de Santo António da Cidade (1783), hoje
Biblioteca Municipal.
Próximo de S. Lázaro, no moderno Largo dos Poveiros,
existiu também a capela de Santo André e de Santo
Estêvão, demolida em 1863, quando a Câmara
continuou a Rua da Alegria até àquele largo. Outro
pitoresco recanto do velho Porto, que desapareceu.
À Rua de Santo André encontramos referências em
1692. Adiante ficava o Padrão das Almas, ainda agora
recordado no Largo do Padrão. Mijavelhas era todo o
espaço que hoje compreende a Rua do Morgado de Mateus, (que
se chamou primeiro Rua do Mede Vinagre e da Murta) e o Poço
das Patas (hoje Campo 24 de Agosto). Esteve aqui a forca até
1714, ano em que o Senado deliberou mudá-la para a Ribeira.
O regato de Mijavelhas, que desaguava no Douro, fazia mover no seu
percurso numerosas azenhas que neste lugar existiram.
Mais longe, em direcção a Campanhã, a igreja
do Senhor do Bonfim, edificada em 1760 e depois erecta em
paroquial, independente de Santo Ildefonso. Em redor, a Alameda do
Bonfim, obra, como a das Fontainhas e a das Virtudes, do grande
corregedor Almada, era um dos aprazíveis lugares da
cidade.
Mas voltemos à igreja de Santo Ildefonso, ponto de partida
de duas das principais artérias da cidade moderna: as Ruas
de Santa Catarina e de Santo António.
A Rua Nova de Santa Catarina é uma das grandes obras que o
Porto deve aos dois Almadas. Em 1711 tratava-se do alinhamento
dela; Rua Bela da Princesa se chamou o seu prolongamento até
à Alameda da Aguardente (praça Marquês de
Pombal). Sofreu sucessivas reedificações e
alterações até 1780. As artérias que
lhe são paralelas ou transversais, datam quase todas de
época posterior:
A Rua da Duquesa de Bragança, (hoje de D. João IV)
rasgou-se por 1855.
Em 1858 projectava-se uma outra rua que substituísse a Viela
das Doze Casas: foi a Rua do Príncipe Real (agora de Latino
Coelho), que se abriu primeiro até à Rua da Alegria e
depois de 1866 se prolongou até ao Largo da Póvoa e
Rua de S. Jerónimo (hoje de Santos Pousada). Este Largo da
Póvoa recorda antigos casais rústicos, que
constituíam pequenas aldeias (Póvoa de Baixo e de
Cima).
Em 1838, um edital determinava que a Travessa da Alegria e a Rua de
S. Jerónimo formassem uma só, com o nome de Rua
Firmeza. Na Aguardente, por onde passava em
continuação de Bomjardim, a estrada de
Guimarães, edificou-se em 1875 a capela de Santo
António. Em volta da alameda, ainda em 1858 existiam
estreitas e tortuosas vielas.
Uma planta de 1843 mostra-nos o projecto de prolongamento da Rua 27
de Janeiro (a actual Rua da Constituição), para
poente da Rua da Rainha hoje Antero de Ouental), até ao
Carvalhido, passando em tangente à bateria da Glória,
no Monte Pedral.
Outra planta, de 1822, prevê o melhoramento do tortuoso
Caminho de Malmerendas (Rua Dr. Alves da Veiga), por duas maneiras:
em linha recta, da actual Rua de Fernandes Tomás até
próximo do encontro da Rua Formosa com a Rua Direita, ou,
por linha quebrada, em direcção à mesma Rua
Direita, na saída da travessa para S. Lázaro.
A grande Quinta de Lamelas está hoje representada por alguns
quintais de casas das Ruas Formosa e de Santo Ildefonso e parte do
leito da Rua Passos Manuel.
Há poucos séculos todo este bairro de Santa Catarina,
Santo António, Fernandes Tomás e Sá da
Bandeira constituíam vasto terreno bravio, matagais,
almoinhas, alguns quintalejos irrigados por cursos de água
que desciam para o rio da Vila ou para o Douro.
A urbanização deste trato citadino, por
esforço dos Almadas, designadamente a abertura da Rua de
Santo António, em fins do séc. XVIII, foi obra
notabilíssima, como tal já na própria
época reconhecida e proclamada. Escrevia em 1879 o
inglês Thomas Modessan: "o rompimento da Rua de Santo
Ildefonso, a unir com o largo da Porta de Carros e Calçada
dos Clérigos é outra das majestosas obras que em
outro tempo apenas se poderia conceber e efectuar no decurso de um
século". Refere-se, como se vê, à Rua de Santo
António; descendo a movimentada artéria, estamos na
Praça (da Liberdade), centro actual de toda a vida
citadina.
Fora da Porta de Carros, e junto da muralha fernandina, estendia-se
pelos anos de 1430, um casal chamado de Paio de Nabais; note-se a
circunstância curiosa de em Lisboa existir, por esse tempo,
topónimo semelhante. Próximo, o Casal da Torre,
vinculado à capela de João Anes Gordo, coutador de el
rei. Estes e outros casais ficavam onde então se chamava As
Hortas.
Em 1711 "O Rev.do Cabido tomou a si para fundar a Praça
Nova, fora da Porta de Carros", terrenos que eram seus e outros que
obteve por troca. Assim começou a urbanizar-se o local,
principalmente depois que, dez anos mais tarde, em 1721, o mesmo
Cabido e a Câmara se entenderam para esse objectivo.
Um Tombo do mosteiro de S. Domingos menciona, em 1669, "a Rua
pública dos Ferradores, junto do chafariz da Porta do
Olival". Por aqui passava o carro da água de Paranhos. O
determinado local da praça chamava-se o Outeiro dos
Ferradores. Neste largo tivera sua casa os viscondes de
Balsemão; no edifício, que ainda existe, esteve a
famosa hospedaria do Peixe, onde pousou o rei Carlos Alberto.
Passou a casa depois à posse dos condes da Trindade, cujo
brasão ostenta na frontaria. Para sul, até entestar
no muro da cidade, e confrontar com Miragaia, espraiava-se o vasto
Campo do Olival, mais extenso que a Cordoaria que lhe sucedeu, com
o nome de Campo dos Mártires da Pátria em 1835. Este
Campo do Olival, incluído na doação da rainha
D. Teresa ao bispo D. Hugo, em 1120, foi mais tarde, na
concórdia celebrada entre o concelho e o seu prelado no ano
de 1331, por este cedido "para rocio e prol do comum da dita
cidade"; já então ali existia uma cordoaria.
Pelo campo do Olival começou, como noutro lugar já
acentuámos, a expansão da cidade extra-muros, nos
últimos anos do séc. XVI, com a sucessiva
construção de notáveis templos e
edifícios públicos e particulares. Dos mais antigos
deviam de ser, provavelmente, uma capela da invocação
de S. Miguel, que se diz ter sido fundada pela rainha D. Mafalda,
em cumprimento de piedoso acto, e outra dedicada a S.
Sebastião; ambas existiam em 1514.
No próprio lugar onde se erguia a primeira destas ermidas,
edificou-se em 1651, graças aos esforços do
benemérito padre Baltasar Guedes a igreja e colégio
dos Meninos Órfãos de N. Sr.ª da Graça,
em 1804 substituídos pelo edifício onde hoje se acha
instalada a Faculdade de Ciências. No Olival esteve,
não sabemos onde, o Recolhimento das Velhas da Cordoaria,
já existente em 1488.
Em 1611, a Câmara mandou delinear e plantar a Alameda do
Olival. Oito anos depois, em 1619, à custa também do
Senado e do Povo, construíram-se a igreja e o convento do
Carmo; o templo dos Terceiros, que lhe fica anexo, data de 1756. O
Recolhimento do Anjo, para meninas órfãs e nobres,
foi instituído em 1672 por D. Helena Pereira da Maia, no
lugar onde esteve, mais tarde e por muitos anos, o mercado, e agora
a Praça de Lisboa.
Cerca de 1666, no cimo da Rua do Calvário, fundou a
família dos Pachecos a capela de S. José das Taipas.
Pegado com ela, edificaram os Sandeman seu palácio em 1839.
Em 1730, no local hoje adaptado a mercado, construíram os
franciscanos de Santo António do Vale da Piedade um
hospício. Nesta casa, sobranceira às Virtudes,
instalou-se posteriormente a Roda dos expostos. O mercado do peixe,
paredes meias com a Roda, data de 1874, edificado sobre os antigos
Celeiros da cidade.
No ano de 1770, no chão onde existiam dois meios casais
chamados do Robalo, começou a Misericórdia a
construção do seu Hospital de Santo António.
Ainda nos limites do Olival, no campo chamado da Via Sacra ou
Calvário Velho, fez-se o convento de S. José e Santa
Teresa de carmelitas descalças. Deu esta casa, hoje
desaparecida, o nome à Rua das Carmelitas; ocupava o terreno
que vai desde esta rua até à Praça de Santa
Teresa (Praça Guilherme Gomes Fernandes) e Rua Cândido
dos Reis.
No lugar desta moderna artéria da cidade, era o Largo do
Ermitão onde, no séc. XVII, se erguia uma pequena
ermida, e depois, quase até nossos dias, se realizava a
Feira dos Ferros Velhos. Logo adiante, o Correio (1834).
Defronte, e no alto da Calcada da Arca ou da
Natividade, que conduzia, como dissemos, às Hortas, no lugar
denominado da Cruz da Cassoa, construiu-se, sob o risco de Nasoni,
a belíssima torre e igreja dos Clérigos, talvez o
mais notável edifício da cidade.
Junto ficava o Campo das Malvas que até
1796 serviu de adro dos enforcados. Além destes monumentos,
que todos merecem especial referência, é o Campo do
Olival ou da Cordoaria digno de memória por outras
circunstâncias. A designação de Cordoaria
deve-se ao facto de nele terem estado, por muito tempo, os
cordoeiros. Já em 1331, quando o bispo cedeu este campo
à cidade, ali existiam; mais tarde estabeleceram-se em
Miragaia. Mas crescendo em número, estenderam-se até
às Virtudes em 1661 estavam de novo na Porta do Olival, onde
D. José mandou edificar a fábrica, que continuou
até 1862. Nesse ano ainda viviam cordoeiros junto da Viela
do Assis.
Na Porta do Olival viu o Porto os seus dois
únicos autos de fé, em tempo do bispo D. Frei
Baltasar Limpo (1543-1544). Aqui esteve a forca, transferida da
Ribeira em 1822. Foi teatro de alguns acontecimentos
históricos. Neste campo começou, em 1757, o famoso
motim contra a Companhia dos Vinhos, e ali mesmo terminou com a
morte na forca dos supostos cabecilhas. Aqui também, em
1809, o povo trucidou o brigadeiro Luís de Oliveira da
Costa, sob a acusação de jacobino. A par destas
tragédias, viu o luzido cortejo da rainha D. Filipa quando
ao Porto veio casar com D. João 1; assistiu à
passagem do senhor D. Gaspar, a caminho do seu arcebispado de
Braga. Nele se realizava a animada feira de S. Miguel, criada em
1682. Foi, nos meados do século passado, o jardim "do bom
tom" no Porto. E para terminar esta digressão pela freguesia
de Santo Ildefonso, diremos ainda que em 1623 ela contava 1.150
almas; em 1706, 589 fogos com 2.134 habitantes; em 1732, D.
Luís Caetano de Lima conta 4.747 almas; e em 1788, o padre
Rebelo da Costa, 4.390 fogos, com 18.814 habitantes. Repare-se
neste extraordinário incremento de população,
devido aos esforços urbanizadores dos
Almadas.
Sempre se vem podendo, pois, e
apesar de tudo, referir muito da longa História da
freguesia. No roteiro "Descrição da Cidade do Porto",
considera-se o bairro de Santo Ildefonso, a Norte da cidade",
principiando no Senhor do Bom Fim e finalizando nos Assentos das
Virtudes, incluindo toda a Rua Nova de Santa Catarina até
à Neta e Bom Jardim, todo o Largo e Rua das Hortas, Almada
até à Senhora da Lapa e voltando por Santo
Ovídio passa aos Ferradores, Cordoaria, Assentos das
Virtudes onde se termina".
A freguesia de S. Salvador de Ramalde é
mencionada pela primeira vez com o nome arcaico de Rianhaldy, nas
Inquirições de D. Afonso III, em 1258. Porém,
já aparece citada anteriormente, como lugar, num documento de
1222 em que a rainha D. Mafalda faz uma doação ao
Mosteiro de Arouca.
A origem e crescimento do povoado de Rianhaldy perde-se nos tempos,
antes da fundação da monarquia portuguesa, provavelmente
entre 920 e 944, data em que chegaram ao território os monges
de S. Bento. Assim começaria a história do julgado de
Bouças e do seu antiquíssimo mosteiro beneditino. Este
território pertenceu ao Padroado Real de D. Sancho I que
depois o doou, em 1196, a sua filha D. Mafalda.
Na época de D. Sancho II o território denominava-se
Ramunhaldy e era constituído por cinco lugares: Francos,
Requezendi, Ramuhaldi Jusão e Ramuhaldi Susão
(actualmente Ramalde do Meio).
Entre 1230 e 1835 pertenceu ao concelho de Bouças, o qual
integrava também S. Mamede de Infesta, Matosinhos, Foz do
Douro e um conjunto de vinte povoações.
Em 1895 foi integrado no concelho do Porto, como freguesia. Os seus
limites eram assim definidos: a Norte o concelho de Matosinhos
(Bouças); a Sul Lordelo do Ouro; a levante Paranhos e
Cedofeita e a poente Aldoar.
EVOLUÇÃO
DEMOGRÁFICA
É muito difícil caracterizar
demograficamente com precisão esta freguesia no período
anterior aos finais do século XIX. No entanto, pode dizer-se
que em épocas anteriores Ramalde comportava uma
população considerável, pois em 1757 possuía
407 fogos e em 1855 cerca de 600 fogos. Por outro lado, o forte
crescimento da natalidade e a baixa taxa de mortalidade indiciam um
incremento populacional.
No período que medeia entre os finais do século XIX
até 1991, e devido à recolha de dados do "Census",
já é possível fazer uma análise mais rigorosa
da evolução demográfica.
Temos, assim, dois períodos: até aos finais do
século XIX, fase que se caracteriza pela inexistência de
"Census", e a partir dos finais do século XIX até à
actualidade em que já existem "Census" para o estudo dessa
evolução. Entre 1864 e 1981, S. Salvador de Ramalde
manteve sempre um crescimento populacional positivo, sendo até
muito elevado em certos períodos. No entanto, os "Census"
preliminares de 1991 apontam, pela primeira vez, para uma taxa de
crescimento populacional negativa. Analisando o segundo
período, temos o seguinte quadro evolutivo:
Entre 1864 a 1900 um crescimento para mais do
dobro. Este facto pode explicar-se pelo arranque do sector
industrial e pela mobilização de uma crescente
mão-de-obra que veio fixar-se em Ramalde. Entre 1940 e 1950 e de 1960 a 1970, a
população apresenta ritmos de crescimento que variam
entre os 38,7% e os 44,5%, respectivamente. No período
correspondente a 1940 - 50, este acréscimo pode talvez ser
explicado pelo afluxo migratório das zonas rurais para as
zonas urbanas. Para o período de 1960 - 70, pode
estabelecer-se uma relação de crescimento populacional e
o desenvolvimento industrial que terá conduzido à
fixação de mão-de-obra junto das unidades
industriais. Porém, não deve ser alheia a este
crescimento a implantação de grande número de
bairros de habitação social a fim de fornecer alojamento
a franjas de população deslocadas do centro do Porto, que
apresentava, nesta fase, indícios de saturação.
ACELERAÇÃO DO URBANISMO NA
ACTUALIDADE
O modo de vida de S. Salvador de Ramalde
reflecte um processo de descaracterização
sócio-cultural, em grande parte devido à
aceleração da urbanização, nomeadamente a
partir da década de 60.
Hoje o número de indivíduos que trabalham no sector
primário é praticamente nulo (nos "Census" de 91 eram
apenas 55) e os traços culturais dessa ruralidade quase se
perderam, sendo desconhecidos entre a população mais
jovem. Actualmente, 61,7% da população trabalha no sector
terciário, seguindo-se 38,4% no sector secundário.
Nota-se, também, uma quebra de sociabilidade e
relação de vizinhança, o que poderá ser
explicado, em grande parte, por uma percentagem significativa da
população activa trabalhar fora da freguesia, mantendo,
assim, contactos privilegiados em diferentes espaços. A
abertura de importantes ligações rodoviárias - que
interessam mais ao Grande Porto do que propriamente às
populações da freguesia - também não favorece,
pelo contrário, as tradicionais relações de
vizinhança e solidariedade.
HABITAT E URBANISMO
No início da industrialização da
freguesia, a habitação operária designava-se por
"ilha", alojamento muito precário, mas que permitia fixar
mão-de-obra a baixo custo. Por outro lado ao patronato
industrial vinha associado o crescente desenvolvimento de uma
burguesia portuense industrial.
Estas "ilhas" eram também a única alternativa para uma
incipiente classe operária cujo poder de compra era muito
baixo, dada a prática corrente de baixos salários no
início da industrialização -- princípio do
século XX. Por fim, no plano de melhoramento da cidade "1956"
e depois no plano director municipal "1962", a freguesia de Ramalde
perde definitivamente a sua face camponesa e torna-se num
espaço de preferência destinado à função
residencial e ao sector secundário.
Os Planos indicados fizeram evoluir o centro da cidade para uma
progressiva terciarização enquanto as zonas
periféricas, como a freguesia de Ramalde, passaram a funcionar
como espaços residenciais e de crescimento do sector
secundário.
No que diz respeito aos espaços residenciais surgem novas
realidades habitacionais que, de certo modo, pretendem substituir
as "ilhas" da primeira fase: as habitações sociais. Este
tipo de habitação pretende dar resposta ao aumento
populacional da cidade numa época em que se põe em
prática uma política de transferência administrativa
de sectores de população do centro da cidade para a
periferia, especialmente os que provêm de zonas
degradadas.
A habitação social marca profundamente a
ocupação na freguesia de Ramalde que se organiza
fundamentalmente a partir da década de 60. Em contrapartida, e
sem explicação, embora tenha sido Ramalde um
território rural, parece não ter havido então a
preocupação de criar espaços verdes. Na realidade,
em toda a freguesia apenas existe uma zona de lazer e que não
é pública. Trata-se do parque de campismo da cidade, ou
parque da Prelada, que ocupa a quinta que pertenceu ao antigo solar
dos Senhores da Prelada. A entrada principal abre-se para a rua do
Monte dos Burgos, na saída para a Maia e Viana do Castelo
já do lado Norte da Via de Cintura Interna.
Existe cerca de uma dúzia de bairros de habitação
social, como os de Pereiró, Campinas, Ramalde, Viso, Francos,
Ramalde do Meio, Bairro de Santo Eugénio...
Encontramos também a habitação privada mas
degradada, as "ilhas" nas zonas de Pedro Hispano e João de
Deus, Francos, Ramalde do Meio, Requesende, Pedro de Sousa e
Pereiró.
A par deste tipo de habitação, aparecem as áreas
residenciais de luxo: Avenida da Boavista, Zona Residencial da
Boavista (Foco) e Avenida de Antunes Guimarães. Repare-se que
as três zonas se situam nos limites da freguesia, a Sul e
Leste.
Pode considerar-se que outro tipo de urbanismo está
representado pela cidade cooperativa da Prelada inaugurada em 22 de
Julho de 1993. Trata-se de uma união de cooperativas: "As Sete
Bicas", "Ceta", "Hazal", "Portocoop", "Santo António das
Antas", "Santo Ildefonso", "Solidariedade e Amizade", tendo como
vizinha uma outra urbanização cooperativa, a "Nova
Ramalde". O grande surto da habitação cooperativa surgiu
após a revolução de 25 de Abril de 1974.
A 5 de Dezembro de 1996 em reunião da
UNESCO, realizada na Cidade do México, o
Centro Histórico da Cidade do Porto, foi
classificado como Património Mundial, abrindo
á Cidade Invicta novas perspectivas, integrando-a na rota dos
grandes valores da Humanidade.
O processo de candidatura demorou quatro anos,
mas foi levado a bom termo após difíceis lutas para fazer
prevalecer os argumentos da sua mais que justa
pretensão.
No final, o Comité da UNESCO entendeu bem
essa razões, ao justificar a inclusão do Centro
Histórico do Porto no Património Mundial com estas
judiciosas palavras:
«Tanto como cidade como
realização humana, o Centro Histórico do Porto
constitui uma obra-prima do génio criativo do homem.
Interesses militares, comerciais, agrícolas e
demográficos convergiram neste local para abrigar uma
população capaz de edificar a cidade. O resultado é
uma obra de arte altamente estética e única no seu
género. Trata-se de um trabalho colectivo, que não
resulta de uma obra de um só período, mas de
contribuições sucessivas. »
O Porto Património Mundial, estende-se por
Quatro freguesias da Cidade. São elas as freguesias da
Sé, de Miragaia, de S. Nicolau e da Vitória.
A freguesia de São Nicolau, com uma
área de O, 21 quilómetros quadrados, ocupa o centro
histórico da cidade do Porto, situando-se integralmente na
Zona Histórica da Cidade, considerada Património
Mundial.
O acesso à Freguesia faz-se pela Ponte D. Luís e por
vários pontos da cidade, uma vez que se situa no
coração da mesma.
Confronta com a freguesia da Vitória, a norte; com o rio
Douro, a sul; com a freguesia da Sé, a nascente; e com
Miragaia, a poente.
A origem das actuais freguesias remonta às paróquias
eclesiásticas.
Ao longo dos séculos, a Igreja foi estruturando a sua
acção, a partir dos pequenos núcleos populacionais
de cariz rural, estabelecendo em torno deles as suas unidades de
base: as paróquias eclesiásticas.
Na falta de níveis de organização da
administração do Estado, disseminados pelo
território, as paróquias eclesiásticas foram
assumindo e realizando um conjunto de acções de natureza
administrativa, fundamentalmente relacionadas com o estado civil
dos cidadãos: registos de nascimento, registos de óbitos,
assentos de casamento e administração dos
cemitérios, entre outras.
A actividade das paróquias eclesiásticas, em domínio
e funções da administração pública,
manteve-se no foro da Igreja até 1830, quando, em pleno
período liberal, as paróquias foram integradas num
sistema administrativo do Estado, a par e em coincidência
territorial com as paróquias eclesiásticas. Estas
mantiveram as funções de administração
eclesiástica, enquanto que, para as paróquias civis,
passaram as funções de administração
pública.
A criação desta Freguesia remonta ao século
XVI.
Criada em 1583, a freguesia de São Nicolau afirmou-se
rapidamente como o centro comercia! do Porto. Para tal, contribuiu
a proximidade com o rio Douro, através do qual desciam
até ao burgo, os produtos agrícolas. O pequeno
comércio concentrava-se na área desta Freguesia. Em 1590,
só na Praça da Ribeira, havia, de acordo com os dados
fornecidos pelo investigador Ribeiro da Silva, sete regateiras de
fruta e hortaliças, doze regateiras de peixe, seis lojas de
azeite e uma pequena casa que fornecia comer.
Por ser o 'coração económico" da cidade do Porto, o
labirinto de ruas, vielas, pátios e íngremes escadarias
começaram a pulular de gente: mulheres com as mãos
escamadas do peixe e marujos habituados às fainas fluviais
conviviam em alegre, mas nem sempre pacífico frenesim, com os
canastreiros, sapateiros, mercadores, sombreireiros e alfaiates que
se instalaram nas casas alcandoradas da zona, entre santos
protectores, ainda hoje fixados em nichos alumiados por
lâmpadas de azeite.
Aliás, a religião polarizava as atenções da
população, sempre militante nas procissões que
enchiam a cidade, num cortejo hierarquicamente perfilado, em que
cada um seguia na posição correspondente ao respectivo
“status social”. Essa vertente religiosa pode
verificar-se em monumentos, como as Igrejas de São Nicolau, de
São Francisco, de São João Novo e dos Grilos.
A imagem de marca desta Freguesia é a presença do rio
(com mais ou menos pontes) e da cascata de casas que descem sobre
ele, em socalcos graníticos, desde a Sé e a Vitória,
por entre ruas sinuosas e estreitas que, por terem a sua
história, merecem que se recupere toda a sua dignidade,
identidade e autenticidade, pois nelas repousa o melhor da
memória colectiva de São Nicolau.
Actualmente, a Freguesia enfrenta graves problemas urbanos, que
requerem medidas de acção rápidas e eficientes, a
fim de evitar a ameaçadora delapidação do seu
património cultural, social e humano. As casas a cair de
podres; a ausência de espaços verdes; o esgaçar dos
laços familiares provocado pela dependência da droga; o
desleixo para com as crianças, que crescem por sua conta; e a
situação precária de muitos idosos, abandonados
pelos familiares à sua própria sorte, são alguns dos
mais graves problemas com que São Nicolau se depara, causas e
resultados da debandada populacional que afecta a (por quanto tempo
ainda?) Freguesia mais densamente povoada da Região
Norte.
(Mafalda Veiga, Susana Félix e
Sofia Frois - Por Outras Palavras)
Paranhos é a maior freguesia da cidade do Porto
e a terceira maior do país.
De Paranhos de outros tempos à
actualidade
Origem
Paranhos… Esta nomenclatura é a forma evoluída do
primeiro vocábulo: Paramio. O actual nome surge pela primeira
vez em documento datado do ano de 1689.
Antes da fundação do Condado Portucalense a freguesia de
Paranhos já existia, sendo habitada por mouros ou árabes
que se mantiveram nesta região até ao século
X.
No ano de 1123 é realizada uma doação do padroado da
Igreja de Paranhos ao Bispo do Porto, D. Hugo por parte de D.
Elvira Trutesindes e por parte de Pio Mendes. Do padroado doado
fazia parte um grande número de casais e
quintas.
Em 1341, no século XIV, D. Afonso IV confirma à mitra do
Porto o Couto de Paranhos, passando a jurisdição do Couto
a pertencer ao Bispo do Porto, na altura, D. Vasco Martins. Por
esta altura cerca de dois terços da freguesia pertencia aos
senhores do cabido da Sé.
Registos Paroquiais
Foi no ano de 1587 que se realizaram os primeiros assentos de
baptismos, casamentos e óbitos.
O primeiro baptismo com assento realizou-se em 29 de Novembro de
1587 com o nome de André. O primeiro assento de casamento
aconteceu em 25 de Junho de 1588 entre Thomas Annes e Catarina
Annes e o primeiro assento de óbito foi feito a 20 de Novembro
do mesmo ano, com o funeral de João da aldeia de
Lamas.
No século XIX, o ano em que se registaram mais baptismos
(678), foi o de 1926. O ano com mais casamentos foi o de 1947 com
194 uniões e 1905 foi o ano em que se registaram mais
óbitos, um total de 420.
Paranhos e o Cerco do
Porto
Paranhos teve uma importância crucial na vitória dos
liberais sobre os absolutistas aquando do cerco dos miguelistas
à cidade. A Quinta do Covelo, também denominada da Bela
Vista, foi um ponto estratégico, uma vez que dela se podia ter
uma vista de boa parte da cidade. Por esse motivo, as tropas
miguelistas instalaram nesta Quinta uma bateria de
canhões.
A nove de Abril desse mesmo ano, os liberais conseguem infiltrar-se
na Quinta, tendo atacado os soldados absolutistas e tomado conta do
reduto do Covelo. Esta foi sem dúvida uma importante
vitória nesta luta que só terminou em 1834 com a
vitória dos liberais.
Crescimento da Freguesia
Esta freguesia foi crescendo e desenvolvendo-se, aliás como a
maior parte das freguesias, em torno da sua igreja. A igreja de
Paranhos foi edificada por lavradores abastados no século X,
em torno da qual foram nascendo casais e quintas, como estas
continuaram a crescer, deram origem a lugares, entre eles Regado,
Agueto, Couto, Igreja, Lamas, Tronco, Carvalhido, e Vale, estes
já existiam em 1689. Em 1758 já existiam mais lugares,
entre os quais, Amial, Bouça, Cruz da Regateira, Antas,
Travessa, Azenha e Cabo. Existiam ainda os lugares de Casal, Fonte,
Paranhos, Telheiro, Estrada, Monte Velho, Eira, Padrão,
Pereira, Tojo, Aval, Cortes, Regueiras e Asprela.
Com base no Catálogo dos Bispos do Porto de D. Rodrigo da
Cunha, sabemos que em 1623, Paranhos contava apenas com 246
habitantes. No ano de 1687, existiam em Paranhos 466 habitantes. Em
1758, segundo dados cedidos pelo pároco, o Reverendo João
Carneiro da Silva havia nesta freguesia 806
habitantes.
Em 1766, Paranhos contava com 946 habitantes e em1801, há
escritos que dão conta de 1541 habitantes na
freguesia.
Desde o ano de 1837 que a freguesia de Paranhos foi integrada na
cidade do Porto, tendo pertencido até esta data à antiga
Terra da Maia.
Criação da Junta de
Freguesia
Por decreto de 18-7-1835, foi criada nesta freguesia de Paranhos
uma Junta de Freguesia que, até 1910 se chamou Junta de
Paróquia, cuja sessão inaugural aconteceu em
1836.
Até 1851 a Junta esteve instalada na "Casa da Fábrica" da
Igreja Paroquial. Depois desta data, mudou-se para a sacristia
devido à "Casa da Fábrica" ameaçar
ruir.
"Em Janeiro de 1882, mudava para a casa do Vice-Presidente, Gaspar
Lucas d'Almeida, da Rua de Costa Cabral, 251; passados dois anos e
até 1886, mudou para o N.º 227 da mesma
rua.
Neste ano de 1886, é feita nova mudança para o
edifício da escola do sexo masculino, à Rua do Vale
Formoso, onde se conservou até ao fim do ano de 1889, e em
Janeiro de 1890, finalmente, fixa-se a Junta de Paróquia no
seu edifício privativo, à Rua da Lealdade (actual Rua de
Álvaro de Castelões)..."
Para além da Junta de Paróquia instalaram-se no
edifício, a Regedoria, o Posto de Registo Civil, um Posto
Médico e duas escolas oficiais.
Actividades
Económicas
Em finais do século XIX, já se denota em Paranhos um
crescimento que embora lento, vai marcando a diferença, face
às outras freguesias caracteristicamente rurais.
Foram-se formando duas ruas bastante compridas
que espelhavam a atracção da população, sendo
elas a chamada Rua da Rainha, actual Antero de Quental e Vale
Formoso e a Rua de Costa Cabral. Os lugares do Covelo e Campo
Lindo, forma também integrados na cidade.
No início do século XX, apenas oito das doze freguesias
que faziam parte do concelho eram de cariz urbano. Foz, Lordelo,
Paranhos e Campanha eram ainda freguesias marcadamente rurais,
apesar de em Paranhos existirem já algumas artérias onde
as lojas comerciais proliferavam, como a Rua de Costa Cabral,
Álvaro de Castelões, Vale Formoso, São Dinis e
Amial. Podemos mesmo afirmar, que apesar da agricultura ser a
actividade à qual a maioria dos paranhenses se dedicava,
havendo casas de lavoura que criavam gado bovino que era exportado
para Inglaterra, até meados do século passado existiram
bastantes fábricas nesta freguesia, fábricas de tecidos,
fósforos, curtumes, louça de ferro,
etc.
Um dos factores que teve um peso bastante considerável para o
crescimento e desenvolvimento de Paranhos, foi sem dúvida o
retorno de muitas pessoas que tinham em tempos emigrado para o
Brasil. Quando regressaram à sua terra de origem,
construíram casas, implementaram lojas e fábricas,
atraindo assim a população.
Também em finais do século XIX, mais precisamente no ano
de 1883, Paranhos ganha um hospital, que se deve ao benemérito
Conde de Ferreira, que no seu testamento solicita a
edificação de um hospital para
alienados.
Os Transportes
É no ano de 1873 que é estabelecido o primeiro
serviço público de transportes para Paranhos da Carris.
Este serviço era feito por tracção animal, com os
denominados “carros americanos”, puxados por uma ou
duas parelhas de mulas. Na época eram feitos dois trajectos,
um que ía do Bolhão à Praça da Aguardente, e
outro da Praça de D. Pedro ao Largo do Campo
Lindo.
Dez anos mais tarde, a Carris deixa de ter o exclusivo do
serviço de transporte, pois surge uma outra empresa com sede
na Rua de São Dinis, a Empresa Portuense de Carros Ripert.
Esta empresa marca pela diferença, pois em vez de mulas, tem a
puxar os carros bonitos cavalos e começou a fazer
serviços para a vizinha São Mamede de
Infesta.
Estes carros de tracção animal começaram a ser
substituídos por veículos de tracção
eléctrica a partir de 1895. Em 1899 experimentou-se a nova
linha eléctrica cujo percurso era da Praça de D. Pedro
até à Praça do Marquês de Pombal e que levou
treze minutos a ser concluído.
Corria o ano de 1948 quando os Serviços de Transportes
Colectivos do Porto realizam o seu primeiro
serviço.
A Iluminação
É na última década do século XIX, mais
propriamente em 1891, que Paranhos começa a ter
iluminação pública.
Numa primeira fase, apenas da Rua de Álvaro Castelões
onde se situava o edifício da Junta até à Igreja
Paroquial havia iluminação. A iluminação chegou
à Rua da Igreja no ano seguinte. Em 1897 foi a vez da rua do
Cemitério e já no século XX as ruas de Delfim Maia,
Arca de Água e as restantes artérias até ao ano de
1912.
Só na segunda década do século XX começou a
substituição da iluminação a gás pela
iluminação eléctrica.
As Ruas
Até finais do século XIX, as ruas e caminhos de Paranhos
eram estreitas e de difícil trânsito, e só a partir
de 1912 é que se começam a verificar verdadeiros
melhoramentos nos arruamentos e nas vias de comunicação
de Paranhos com as freguesias envolventes. Neste ano é rasgada
a Rua de Delfim Maia, a Viela do Relógio transformada em Rua,
a Rua de Costa e Almeida sofre reparações e a Rua do
Lindo Vale é alargada. Este foi o início de muitos
melhoramentos e inovação em termos das vias de
comunicação. Nos anos 30 dos século XX, nasce a Rua
do Bolama, no local onde anteriormente existia a Viela do Covelo, a
Rua Augusto Lessa data igualmente desta
década.
Saliente-se que a primeira via de comunicação que
atravessou esta terra era uma via romana que data do ano 160. Em
1258, é rasgada outra via, a via veteris que ía do rio
Douro, passava por Lordelo, Cedofeita, Custóias, Pedras Rubras
e ía em direcção à ponte do Rio Ave. No
século XVI, é aberta uma nova estrada até Viana do
Castelo, era a estrada “Nove Irmãos”.
As águas de Paranhos
Esta é uma Freguesia que possui apenas alguns regatos de
pequena dimensão utilizados outrora pelos lavradores para
regarem os seus terrenos de cultivo, pois esta, no século XIX
e inícios do século XX era essencialmente uma terra de
cariz rural.
Paranhos é sim, uma Freguesia conhecida pelas suas sete
nascentes, com água de excelente qualidade, como as águas
de Arca D’Água, utilizadas para abastecer toda a cidade
do Porto, desde finais do século XVI. Da famosa Arca
D’Água, partiam três nascentes da Arca Nova e
quatro da Arca Velha.
Dada a elevada qualidade da água, os moradores da cidade
ofereceram mil cruzados para a ajuda da construção do
aqueduto, e o caudal da água ia até à actual
Praça de Carlos Alberto e terminava à Porta do Olival,
actual zona da Cordoaria.
Desde inícios de 1903, pela altura da
celebração de S. Miguel, realizava-se neste local, o
Largo de Arca D’Água, a “Feira de S.
Miguel”, famosa por ter uma duração de um a dois
meses e pelas inúmeras “barraquinhas de comes e
bebes” que aí se podiam encontrar.
Foi no ano de 1920 que Arca D’Água foi transformada em
jardim, mas, não sem antes, ter sido palco de um famoso duelo
em 1865, entre Antero de Quental e Ramalho Ortigão, pela
polémica literária conhecida por “Questão
Coimbrã”.
Ainda em 1950 Paranhos fornecia água a fontes,
fontanários e bebedouros públicos, que permitiram à
população abastecer-se de água antes da
existência do abastecimento
domiciliário.
Até 1945 quem pretendesse entrar na cidade via-se obrigado a
pagar o imposto indirecto municipal, servindo a estrada da
Circunvalação de marco fronteiriço para o
efeito.
Na década de 50 do século XX, é inaugurado no lugar
da Asprela o Hospital Geral de São João, outrora
designado por Hospital Escolar da Cidade, por nele estar instalada
a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
Como o número de habitantes foi crescendo
incessantemente, a freguesia foi-se transformando em termos
paisagísticos. Muitos dos campos existentes, foram dando lugar
à construção de edifícios, não só
habitacionais, mas também institucionais. É portanto, no
século XX, que começa a nascer uma freguesia de cariz
urbano, com a pavimentação de ruas e caminhos,
aproximação da freguesia ao centro da cidade através
do melhoramento das vias, o que se traduziu numa maior mobilidade
da população.
Algumas
curiosidades…
Rua do Amial:
Esta Rua, abarca parte do que em tempos era a Quinta do Tronco, o
nome da Rua fica a dever-se aos inúmeros amieiros que em
tempos existiam. Foi nesta Rua que passou o primeiro transporte
público em Paranhos, no ano de 1873. O transporte consistia
num carro americano puxado por uma ou duas parelhas de muares,
partia diariamente de S. Mamede Infesta e terminava a viagem na
actual Praça de Carlos Alberto, em frente da Antiga Tabacaria
Havaneza
Rua Álvaro
Castelões:
Esta foi a primeira rua da freguesia a ter iluminação
pública a gás, vivia-se o ano de 1891, só em 1922 a
electricidade chegou à freguesia. No fundo desta rua situa-se
a Junta de Freguesia de Paranhos, criada por Decreto-lei de 18 de
Julho de 1835 e até 1910 era
designada por Junta da Paróquia.
Praça Marquês de
Pombal:
Foi conhecida antigamente por Largo da Aguardente, por se realizar
neste local o mercado da aguardente. O coreto aí existente foi
oferecido pelos moradores da Praça. Este local constituiu uma
das linhas de defesa aquando das invasões francesas e das
forças liberais durante o cerco do Porto.No ano de 1785
algumas pessoas devotas de Santo António ergueram uma capela
denominada Santo António da Aguardente.
Rua da Constituição:
O primeiro troço desta comprida rua a ser construído,
ligava a antiga Praça da Aguardente, actual Praça
Marquês de Pombal, à antiga Rua da Rainha, actual, Rua
Antero de Quental, e a sua conclusão data de 1845. No ano de
1851 ainda rareavam as casas de habitação. As primeiras
instalações do Futebol Clube do Porto, foram edificadas
nesta rua.
Rua de Costa Cabral:
Foi nesta Rua que em 1882 foi aberta a segunda escola na freguesia.
Era uma escola para crianças do sexo feminino, a primeira data
de 1872. Antigamente, esta rua era a estrada que levava as pessoas
da cidade do Porto a Guimarães, daí ter ficado conhecida
como Estrada de Guimarães.
O Hospital Conde
Ferreira:
Este Hospital, mandado edificar por Joaquim Ferreira dos Santos,
para o tratamento de doenças do foro mental, foi inaugurado em
24 de Março do ano 1883. Nos seus jardins podemos apreciar a
estátua deste benemérito, mais conhecido por Conde
Ferreira, numa obra do escultor portuense, Soares dos
Reis.
Este Hospital Psiquiátrico, foi edificado no antigo Largo das
Regateiras, hoje Largo da Cruz. Era assim denominado, pois as
vendedeiras que vinham das terras da Maia à cidade, paravam
neste largo para vender, regateando os preços, cantando e
dançando.
O Cemitério:
Onde hoje está o cemitério de Paranhos, existiam em
tempos bouças – as “Bouças do Agrelho”.
As primeiras ossadas a serem trasladadas para aqui datam de 1879.
Em 1910 o espaço já era insuficiente e teve de ser
aumentado para o dobro. A construção do cemitério
ficou a dever-se à proibição em 1835 de enterros no
interior das igrejas e mais tarde nos adros das
mesmas.
No cemitério de Paranhos esteve sepultada aquela a quem lhe
chamam a “Santa de Paranhos”, a Beata Maria do Divino
Coração, de nacionalidade alemã e origem
aristocrática, que veio para o nosso país em 1894, para
servir a Congregação do Bom Pastor. Nesse mesmo ano foi
nomeada Superiora da Casa que a Congregação do Bom Pastor
tem no Porto, mais precisamente na Rua do Vale Formoso, tendo
aí permanecido até 1899, data da sua morte. Hoje, podemos
visitar a capela e o quarto da Irmã Maria, daquilo que resta
do já extinto Recolhimento do Bom Pastor.
Estrada da
Circunvalação:
Esta via ficou concluída em 1897 e servia para limitar as
fronteiras fiscais da cidade. Para a Freguesia de Paranhos ficaram
estabelecidas as fronteiras da Areosa, Azenha, Amial e Monte dos
Burgos, estas fronteiras mantiveram-se até
1943.
No final do século XX com a construção da Via de
Cintura Interna, melhora significativamente o acesso à
freguesia a outros pontos da cidade, melhorando e aumentando a
comunicação entre a população e
serviços.
Apesar do seu perfil urbano, ainda hoje podemos descobrir os
prazeres de uma freguesia que em tempos foi constituída por
aldeias. Podemos encontrar pessoas que vendem pelas portas os
legumes da horta, as que vendem à sua porta flores, a
mercearia e a padaria onde se conhece o freguês, assistir e
participar na procissão em honra de N.ª Senhora da
Saúde, beber água num dos muitos fontanários que
ainda vão resistindo à mudança, ou seja, costumes
marcadamente rurais.
Paranhos oferece uma dupla riqueza: viver e estar na cidade e
usufruindo os seus serviços e meios, mas ao mesmo tempo
desfrutar de uma tranquilidade bucólica, difícil de
encontrar no meio urbano.
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