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Porto Freguesias

Vitória - Porto  (Porto Freguesias) escrito em terça 25 setembro 2007 14:42

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  HISTÓRIA

 

 A Torre dos Clérigos é o ex-libris da freguesia da Vitória, uma das quatro da zona histórica da bonita cidade Invicta. Vitória confina com Miragaia, Santo Ildefonso, Cedofeita, Sé e S. Nicolau e é um dos seus principais pontos de atracção. Em todo o ano, vislumbram-se turistas pelas ruas, algumas delas bem estreitas, uma característica comum a todas as zonas históricas e que despertam bem o interesse dos visitantes de outros países. Quem nasce na Vitória jamais perde as raízes da Invicta, ficando para sempre com elos de ligação à freguesia. E a tradição ainda é o que era na Vitória. Não faltam celebrações: festas sanjoaninas, em honra do S. Roque da Vitória, em Agosto, a festa do Senhor da Boa Fortuna, com procissão - que percorre algumas das artérias da zona histórica e se realiza no último fim-de-semana de Agosto -, bem como o S. Martinho, a festa de Natal, o 25 de Abril e o 1.º de Maio. Uma das lendas prende-se com a origem do nome Vitória. Esta lenda encontra-se no livro Portugal Antigo e Moderno, de Pinho Leal: "Dizem uns que a origem de Rio Tinto, Campanhã, Batalha e Vitória proveio de um grande combate ferido, entre mouros e cristãos em volta desta cidade, e que os títulos supra comemoram os triunfos alcançados pelos cristãos nessas sanguinolentas batalhas, e os outros dizem que o título de Vitória provém da conversão de grande parte dos judeus que viviam na judiaria do Porto, em volta do local onde se erigiu a igreja que simbolizava uma conquista moral não um triunfo guerreiro". A freguesia surge aquando à origem de S. Nicolau e S. João de Belomonte, depois a criação da Sé, a primeira a existir, até 1583. O património histórico é uma das grandes virtudes desta pequena localidade, que contabiliza cerca de 4000 habitantes. O mosteiro de S. Bento da Vitória Beneditino e a Igreja Nossa Senhora da Vitória são apenas dois dos bonitos monumentos que enriquecem o vasto património desta riquíssima freguesia. Também aqui nasceu o Porto…

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Santo Ildefonso - Porto  (Porto Freguesias) escrito em sábado 22 setembro 2007 13:30

É sobremaneira difícil falar-se, com um mínimo de profundidade, de uma freguesia urbana como a de Santo Ildefonso.

Essa dificuldade resulta de muitos e díspares motivos.

É a freguesia de Santo Ildefonso caracterizada por aspectos típicos de uma grande cidade, situada que está no coração dela. Uma grande área, uma área onde acontece a maior parte da fenomenologia urbana, onde os habitantes são de fluxo dinâmico, onde os moradores residentes não ocupam um leque percentual idêntico (por defeito) ao de outras freguesias do Porto, mas ainda assim, eivada de circunstancialismos de fundamental importância para a vivência de uma cidade de trabalho e de cultura: é na freguesia de Santo Ildefonso que residem as maiores actividades comerciais, um número soberbo de serviços, os centros culturais predominantes, a tradição da difusão informativa, nomeadamente através dos jornais diários do Porto, prestigiados e prestigiosos, com raro paralelo no restante território nacional.

Espantosamente, é a Junta de Freguesia de Santo Ildefonso, uma das que menos se conhecem em termos de origem histórica.

Para um estudo prévio, elaborado pela actual Junta de Freguesia, no sentido de ser conseguida a publicação deste trabalho, detectaram-se três linhas num exemplar da revista "O Tripeiro" n.0 19 (1º Ano), de 1 de Janeiro de 1909. A págs. 14, sob o título "VÁRIA" imprimiram-se algumas bases de informação. A terceira referia: "Freguezia De Santo Ildefonso - A Freguezia De Santo Ildefonso no Porto formou-Se a 24 de Junho de 1634".

Apenas assim, sem mais qualquer outra fundamentação.

Prosseguindo a leitura de exemplares sucessivos de "O TRIPEIRO", cuja redacção, nessa época, se localizava curiosamente em espaço geográfico pertencente a esta freguesia (Rua Formosa, 199), encontrou-se ainda algumas notas e referências, no entanto por demais insuficientes, numa perspectiva de análise histórica. Assim: um mês depois ("O Tripeiro" n.0 22, de 1 de Fevereiro de 1909) era publicado:

" Ainda naquela data (11/9/1759), a freguesia de santo ildefonso descia ate ao douro e compreendia tudo o que e hoje d'esta freguesia de São Nicolau, desde os muros dos guindaes ate aos limites de campanhá ".

E no final do mesmo ano, em 1 de Dezembro de 1909, em "O Tripeiro" n.0 52, um texto assinado por Ricardo Jorge estabelecia:

"... Até 1836 consta o Porto propriamente de sete freguesias, Sé, Victória, 5. Nicolau, Santo Ildefonso, Miragaia, Massarelos e Cedofeita. Pelo decreto de 26/11/1836 foram-lhe anexadas Lordelo do Ouro, Campanhã e s. João da foz; e por carta de lei de 27/8/1837, nova anexação, a de Paranhos.
A desigual distribuição destas freguesias pedia reforma das suas circunscrições; deste plano tomou a iniciativa o bispo eleito, e aprovado superiormente o seu projecto de portaria de 13/2/1838, procedeu-se a nova demarcação, fixada por uma comissão onde entrava o bispo, a câmara e delegados das juntas de paróquia. Santo Ildefonso, de uma área enorme, foi desmembrada, creando-se à sua custa uma nova freguesia, a do senhor do Bonfim. O arredondamento paroquial de 1838 só foi sancionado pelo decreto de 11/12/1841, sob o referendo de Costa Cabral.. . "


Todavia, parece-nos importante salientar aqui a data de 1623 há uma referência - D. Rodrigo da Cunha avançava dessa data um quantitativo da que chamou "Santo Ildefonso": 1150 habitantes, sendo 1000 de maioridade e 150 menores".

Um estudo de Domingos A. Moreira, sobre as "Freguesias da Diocese do Porto" confere à freguesia de Santo Ildefonso um nascimento que foi operado entre esse ano de 1623 e o ano de 1687.

Passemos, entretanto, a uma Pública Forma datada de 6 de Maio de 1828, certidão atestada pela Câmara no sentido de:

"À vista dos respectivos títulos ou documentos haija de attestar-lhes ou certificar-lhes de narrativa se consta ou existe memória que designe o tempo em que havia huma só freguesia nesta cidade".

Trata-se de uma certidão da Câmara a pedido do Juiz e Mesários da Confraria do Santíssimo Sacramento e Senhor Jesus da freguesia de Santo Ildefonso, solicitando a precisão, que a certidão da Câmara apontava para o ano de 1551.

Transcrevemos o texto. A data de 1584 é citada, no entanto, como desdobramento de freguesias na cidade.


CERTIDÃO

" Rodrigo freire de Andrade pinto de Sousa, escrivão da illustrissima câmara desta cidade do porto e seu termo por sua magestade fidelissima que deos guarde, faço certo que do livro das vereaçoens do anno de mil e quinhentos e sincoenta e hum, a folhas sete verso, consta ser a parrochia da sé a unica em toda a cidade dando motivo a esta declaração tomada em camara em congresso de povo se sim ou não deverião haver confrarias do santissimo sacramento nos conventos de sam francisco e sam domingos para o povo poder assistir as procissoens dos domingos terceiros, visto que não cabia na sé nesses dias e não havia outra parrochia ou confraria no anno de mil e quinhentos e secenta e hum em huma sentença no livro segundo dellas a folhas cento e quarenta consta haver freguezia em santo ildefonço arrabalde da cidade assim como o haverem já as novas igrejas na cidade no anno de mil e quinhentos e oitenta e quatro e nellas estabellecidas as confrarias do santissimo sacramento para as quaes pertendia o senhor bispo concorresse a confraria do santissimo sacramento da sé com quatro tochas para cada huma ao que se opozerão em camara negando-se aquella requezição".

Estes dados dispersos não podem, com rigor, dizer-nos muito sobre a formação e os circunstancialismos que a determinaram, da freguesia de Santo Ildefonso. Um ou outro aspecto são, no entanto, irrefutáveis. Por exemplo, a sua vasta extensão, que a tem vindo a caracterizar desde sempre. E a fundamental importância de que alguns dados apontam:

    - Em 12 de Setembro de 1983, o Presidente da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso, Albino Alves Teixeira, endereçou um ofício ao Chefe de Divisão do Arquivo Histórico da Câmara Municipal do Porto. Nesse ofício foi salientado: "Sabemos que nos fins do século passado, um prédio onde estavam instaladas as Escolas Paroquiais de Santo Ildefonso e a respectiva secretaria da Junta, prédio esse que pertencia ao Conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira, ardeu numa noite de Santo António, não existindo portanto livros de actas ou outros documentos que nos certifiquem da formação legal da Junta de Freguesia". Assim, e a partir das informações disponíveis, inquiria-se da possibilidade de confirmar-se aquela data de 24 de Junho de 1634 através dessa via.

A resposta pouco avançou: ao ofício da Junta seguiu-se o ofício do Chefe da Divisão do Arquivo Histórico que referia:

"1. Não parece existir neste Arquivo Histórico qualquer documento alusivo à criação da paróquia de Santo Ildefonso;

2. Foi percorrida vária bibliografia, mas as informações encontradas continuam a ser muito vagas. Por exemplo, do estudo de Domingos A. Moreira, sobre as "Freguesias da Diocese do Porto" (pág. 126) apenas se pode confirmar que o seu nascimento se deu entre 1623 e 1687;

3. Todavia, num livro editado em 1869, da autoria de J. M. Pinto, e sob o título "Apontamentos para a História da Cidade do Porto" (pág. 104) volta-se a indicar que "no anno de 1634, a confraria do Senhor Jesus juntou-se à do Santíssimo Sacramento. Foi elevada a freguesia em 1634, contando então 1790 almas". Num outro estudo encontramos a indicação que isso se deu por desmembramento da freguesia da Sé";

4. É provável que esteja correcta a informação de "O Tripeiro". Na página 104 de "Apontamentos para a Cidade do Porto" pode. pois, ler-se:

Data de grande antiguidade a fundação da sua primeira Igreja. Consta que já em 1519 existia uma Igreja com a invocação de Santo Ildefonso, a qual era extramuros, próximo da Porta do Cimo da VilIa e aonde era também venerada a imagem do Senhor Jesus, que tinha a sua respectiva Confraria. Já em tempos imemoráveis se sepultavam no Adro desta Igreja as entravadas e em 1592 a confraria concedeu sepultura aos pobres da Freguesia. No ano de 1634 a Confraria do Senhor Jesus juntou-se à do SS. Sacramento. Foi elevada a Freguesia em 1634, contando então 1790 almas

Estes são, grosso modo, os únicos pontos em que podemos assentar. O arrabalde de Santo Ildefonso, extramuros, é portanto antiquíssimo. Como paróquia suburbana era a mais extensa. Ladeando sempre a muralha Fernandina, principiava no Senhor do Bonfim e ia terminar nos assentos das Virtudes, limitando com Campanhã, Paranhos, Cedofeita e Miragaia. Incluía já no seu âmbito as Ruas de Santo Ildefonso e de Santa Catarina, a Neta, o Bonjardim, as Hortas, a Natividade e a Rua do Almada, até à Igreja de Nossa Senhora da Lapa. Voltando pelo lado poente do Largo de Santo Ovídio dividia com Cedofeita e Miragaia pela Rua da Sovela, Ferradores, Cordoaria e Virtudes. A Igreja de Santo Ildefonso encontra-se lá mencionada em documento do século 13. Ainda em 1560 se erguia no meio de um campo junto de um souto de Carvalheiras, "fora da Porta de Cima da Vila".
Era templo pequeno e estava, nos princípios de setecentos, muito arruinado; foi mandado reedificar em 1730. Próximo ficava um casal, que antes de 1443 se chamava de João Ramalde e depois, lugar do Pinheiro. Logo adiante, na actual Praça da Batalha, junto da Porta de Cima de Vila, o devoto Baltasar Guedes mandou edificar, em 1590, a elegante capela de N.Sª da Batalha, demolida em 1924. Mais abaixo, ficava o lugar dos Carvalhos do Monte; quase encostada ao Postigo do Penedo (que João de Almada transforma, em 1768, na Porta do Sol) erguia-se a ermida de Santo António do Penedo, com seu adro de galilé, e ao lado, a casa solarenga dos Brandões. Era um dos mais pitorescos recantos do velho Porto, infeliz e inutilmente destruído em 1887. Ficava em frente do palácio do visconde de Azevedo (onde estava instalado o Governo Civil).

A Rua das Fontainhas chamou-se em algum tempo Rua do Regato. Ali estiveram o Recolhimento das Entrevadas (já existente em 1498), o Hospital dos Lázaros e Lázaras (1558), e o Recolhimento de N. Srª das Dores (Velhas do Camarão) fundada em 1819 no Largo do Camarão e viela de N.8 Sr.8 das Dores, por detrás do Recolhimento das Órfãs, em S. Lázaro. A alameda deve-se a Francisco de Almada (1790).

Entre as Ruas das Fontainhas e do Sol, onde funcionaram os matadouros, chamava-se outrora Vale de Donas, e existia uma quinta, depois denominada das Fontainhas, que pertenceu sucessivamente às famílias Pereira de Melo (capitães-mores de Penafiel), Fontana, Vanzeller e Alpenduradas.

A Rua de Alexandre Herculano, que liga as Fontainhas à Batalha, foi aberta em 1877: chamou-se primeiro Rua Nova da Batalha. Junto da capela de Sant'llafom e de uma velhíssima Albergaria dos Peregrinos de Cima de Vila", havia, em 1590, o Campo do Pombal, que entestava com "a estrada que vai entre as paredes", para S. Lázaro. Deve ser remota referência à Rua de Entreparedes, à qual se seguia a do Reimão, hoje Avenida Rodrigues de Freitas.

O Campo de S. Lázaro estava antigamente plantado de frondosos carvalhos e castanheiros; ali esteve, desde o séc. XIV e vindo da Ribeira, o Hospital dos Gafos "de Cima de Vila de Mijavelhas", aos quais el rei D. João 1 confirmou os antigos privilégios por c. de 28-IX-1423 (A. D. 1385). Ainda existem aqui dois edifícios que merecem especial menção: A igreja e Recolhimento das Órfãs, fundado em 1724 pelo padre Manuel de Passos e Castro, e o convento de Santo António da Cidade (1783), hoje Biblioteca Municipal.

Próximo de S. Lázaro, no moderno Largo dos Poveiros, existiu também a capela de Santo André e de Santo Estêvão, demolida em 1863, quando a Câmara continuou a Rua da Alegria até àquele largo. Outro pitoresco recanto do velho Porto, que desapareceu.

À Rua de Santo André encontramos referências em 1692. Adiante ficava o Padrão das Almas, ainda agora recordado no Largo do Padrão. Mijavelhas era todo o espaço que hoje compreende a Rua do Morgado de Mateus, (que se chamou primeiro Rua do Mede Vinagre e da Murta) e o Poço das Patas (hoje Campo 24 de Agosto). Esteve aqui a forca até 1714, ano em que o Senado deliberou mudá-la para a Ribeira. O regato de Mijavelhas, que desaguava no Douro, fazia mover no seu percurso numerosas azenhas que neste lugar existiram.

Mais longe, em direcção a Campanhã, a igreja do Senhor do Bonfim, edificada em 1760 e depois erecta em paroquial, independente de Santo Ildefonso. Em redor, a Alameda do Bonfim, obra, como a das Fontainhas e a das Virtudes, do grande corregedor Almada, era um dos aprazíveis lugares da cidade.

Mas voltemos à igreja de Santo Ildefonso, ponto de partida de duas das principais artérias da cidade moderna: as Ruas de Santa Catarina e de Santo António.

A Rua Nova de Santa Catarina é uma das grandes obras que o Porto deve aos dois Almadas. Em 1711 tratava-se do alinhamento dela; Rua Bela da Princesa se chamou o seu prolongamento até à Alameda da Aguardente (praça Marquês de Pombal). Sofreu sucessivas reedificações e alterações até 1780. As artérias que lhe são paralelas ou transversais, datam quase todas de época posterior:

A Rua da Duquesa de Bragança, (hoje de D. João IV) rasgou-se por 1855.

Em 1858 projectava-se uma outra rua que substituísse a Viela das Doze Casas: foi a Rua do Príncipe Real (agora de Latino Coelho), que se abriu primeiro até à Rua da Alegria e depois de 1866 se prolongou até ao Largo da Póvoa e Rua de S. Jerónimo (hoje de Santos Pousada). Este Largo da Póvoa recorda antigos casais rústicos, que constituíam pequenas aldeias (Póvoa de Baixo e de Cima).

Em 1838, um edital determinava que a Travessa da Alegria e a Rua de S. Jerónimo formassem uma só, com o nome de Rua Firmeza. Na Aguardente, por onde passava em continuação de Bomjardim, a estrada de Guimarães, edificou-se em 1875 a capela de Santo António. Em volta da alameda, ainda em 1858 existiam estreitas e tortuosas vielas.

Uma planta de 1843 mostra-nos o projecto de prolongamento da Rua 27 de Janeiro (a actual Rua da Constituição), para poente da Rua da Rainha hoje Antero de Ouental), até ao Carvalhido, passando em tangente à bateria da Glória, no Monte Pedral.

Outra planta, de 1822, prevê o melhoramento do tortuoso Caminho de Malmerendas (Rua Dr. Alves da Veiga), por duas maneiras: em linha recta, da actual Rua de Fernandes Tomás até próximo do encontro da Rua Formosa com a Rua Direita, ou, por linha quebrada, em direcção à mesma Rua Direita, na saída da travessa para S. Lázaro.

A grande Quinta de Lamelas está hoje representada por alguns quintais de casas das Ruas Formosa e de Santo Ildefonso e parte do leito da Rua Passos Manuel.

Há poucos séculos todo este bairro de Santa Catarina, Santo António, Fernandes Tomás e Sá da Bandeira constituíam vasto terreno bravio, matagais, almoinhas, alguns quintalejos irrigados por cursos de água que desciam para o rio da Vila ou para o Douro.

A urbanização deste trato citadino, por esforço dos Almadas, designadamente a abertura da Rua de Santo António, em fins do séc. XVIII, foi obra notabilíssima, como tal já na própria época reconhecida e proclamada. Escrevia em 1879 o inglês Thomas Modessan: "o rompimento da Rua de Santo Ildefonso, a unir com o largo da Porta de Carros e Calçada dos Clérigos é outra das majestosas obras que em outro tempo apenas se poderia conceber e efectuar no decurso de um século". Refere-se, como se vê, à Rua de Santo António; descendo a movimentada artéria, estamos na Praça (da Liberdade), centro actual de toda a vida citadina.

Fora da Porta de Carros, e junto da muralha fernandina, estendia-se pelos anos de 1430, um casal chamado de Paio de Nabais; note-se a circunstância curiosa de em Lisboa existir, por esse tempo, topónimo semelhante. Próximo, o Casal da Torre, vinculado à capela de João Anes Gordo, coutador de el rei. Estes e outros casais ficavam onde então se chamava As Hortas.

Em 1711 "O Rev.do Cabido tomou a si para fundar a Praça Nova, fora da Porta de Carros", terrenos que eram seus e outros que obteve por troca. Assim começou a urbanizar-se o local, principalmente depois que, dez anos mais tarde, em 1721, o mesmo Cabido e a Câmara se entenderam para esse objectivo.

Um Tombo do mosteiro de S. Domingos menciona, em 1669, "a Rua pública dos Ferradores, junto do chafariz da Porta do Olival". Por aqui passava o carro da água de Paranhos. O determinado local da praça chamava-se o Outeiro dos Ferradores. Neste largo tivera sua casa os viscondes de Balsemão; no edifício, que ainda existe, esteve a famosa hospedaria do Peixe, onde pousou o rei Carlos Alberto. Passou a casa depois à posse dos condes da Trindade, cujo brasão ostenta na frontaria. Para sul, até entestar no muro da cidade, e confrontar com Miragaia, espraiava-se o vasto Campo do Olival, mais extenso que a Cordoaria que lhe sucedeu, com o nome de Campo dos Mártires da Pátria em 1835. Este Campo do Olival, incluído na doação da rainha D. Teresa ao bispo D. Hugo, em 1120, foi mais tarde, na concórdia celebrada entre o concelho e o seu prelado no ano de 1331, por este cedido "para rocio e prol do comum da dita cidade"; já então ali existia uma cordoaria.

Pelo campo do Olival começou, como noutro lugar já acentuámos, a expansão da cidade extra-muros, nos últimos anos do séc. XVI, com a sucessiva construção de notáveis templos e edifícios públicos e particulares. Dos mais antigos deviam de ser, provavelmente, uma capela da invocação de S. Miguel, que se diz ter sido fundada pela rainha D. Mafalda, em cumprimento de piedoso acto, e outra dedicada a S. Sebastião; ambas existiam em 1514.

No próprio lugar onde se erguia a primeira destas ermidas, edificou-se em 1651, graças aos esforços do benemérito padre Baltasar Guedes a igreja e colégio dos Meninos Órfãos de N. Sr.ª da Graça, em 1804 substituídos pelo edifício onde hoje se acha instalada a Faculdade de Ciências. No Olival esteve, não sabemos onde, o Recolhimento das Velhas da Cordoaria, já existente em 1488.

Em 1611, a Câmara mandou delinear e plantar a Alameda do Olival. Oito anos depois, em 1619, à custa também do Senado e do Povo, construíram-se a igreja e o convento do Carmo; o templo dos Terceiros, que lhe fica anexo, data de 1756. O Recolhimento do Anjo, para meninas órfãs e nobres, foi instituído em 1672 por D. Helena Pereira da Maia, no lugar onde esteve, mais tarde e por muitos anos, o mercado, e agora a Praça de Lisboa.

Cerca de 1666, no cimo da Rua do Calvário, fundou a família dos Pachecos a capela de S. José das Taipas. Pegado com ela, edificaram os Sandeman seu palácio em 1839. Em 1730, no local hoje adaptado a mercado, construíram os franciscanos de Santo António do Vale da Piedade um hospício. Nesta casa, sobranceira às Virtudes, instalou-se posteriormente a Roda dos expostos. O mercado do peixe, paredes meias com a Roda, data de 1874, edificado sobre os antigos Celeiros da cidade.

No ano de 1770, no chão onde existiam dois meios casais chamados do Robalo, começou a Misericórdia a construção do seu Hospital de Santo António. Ainda nos limites do Olival, no campo chamado da Via Sacra ou Calvário Velho, fez-se o convento de S. José e Santa Teresa de carmelitas descalças. Deu esta casa, hoje desaparecida, o nome à Rua das Carmelitas; ocupava o terreno que vai desde esta rua até à Praça de Santa Teresa (Praça Guilherme Gomes Fernandes) e Rua Cândido dos Reis.
No lugar desta moderna artéria da cidade, era o Largo do Ermitão onde, no séc. XVII, se erguia uma pequena ermida, e depois, quase até nossos dias, se realizava a Feira dos Ferros Velhos. Logo adiante, o Correio (1834).

Defronte, e no alto da Calcada da Arca ou da Natividade, que conduzia, como dissemos, às Hortas, no lugar denominado da Cruz da Cassoa, construiu-se, sob o risco de Nasoni, a belíssima torre e igreja dos Clérigos, talvez o mais notável edifício da cidade.

Junto ficava o Campo das Malvas que até 1796 serviu de adro dos enforcados. Além destes monumentos, que todos merecem especial referência, é o Campo do Olival ou da Cordoaria digno de memória por outras circunstâncias. A designação de Cordoaria deve-se ao facto de nele terem estado, por muito tempo, os cordoeiros. Já em 1331, quando o bispo cedeu este campo à cidade, ali existiam; mais tarde estabeleceram-se em Miragaia. Mas crescendo em número, estenderam-se até às Virtudes em 1661 estavam de novo na Porta do Olival, onde D. José mandou edificar a fábrica, que continuou até 1862. Nesse ano ainda viviam cordoeiros junto da Viela do Assis.

Na Porta do Olival viu o Porto os seus dois únicos autos de fé, em tempo do bispo D. Frei Baltasar Limpo (1543-1544). Aqui esteve a forca, transferida da Ribeira em 1822. Foi teatro de alguns acontecimentos históricos. Neste campo começou, em 1757, o famoso motim contra a Companhia dos Vinhos, e ali mesmo terminou com a morte na forca dos supostos cabecilhas. Aqui também, em 1809, o povo trucidou o brigadeiro Luís de Oliveira da Costa, sob a acusação de jacobino. A par destas tragédias, viu o luzido cortejo da rainha D. Filipa quando ao Porto veio casar com D. João 1; assistiu à passagem do senhor D. Gaspar, a caminho do seu arcebispado de Braga. Nele se realizava a animada feira de S. Miguel, criada em 1682. Foi, nos meados do século passado, o jardim "do bom tom" no Porto. E para terminar esta digressão pela freguesia de Santo Ildefonso, diremos ainda que em 1623 ela contava 1.150 almas; em 1706, 589 fogos com 2.134 habitantes; em 1732, D. Luís Caetano de Lima conta 4.747 almas; e em 1788, o padre Rebelo da Costa, 4.390 fogos, com 18.814 habitantes. Repare-se neste extraordinário incremento de população, devido aos esforços urbanizadores dos Almadas.


Sempre se vem podendo, pois, e apesar de tudo, referir muito da longa História da freguesia. No roteiro "Descrição da Cidade do Porto", considera-se o bairro de Santo Ildefonso, a Norte da cidade", principiando no Senhor do Bom Fim e finalizando nos Assentos das Virtudes, incluindo toda a Rua Nova de Santa Catarina até à Neta e Bom Jardim, todo o Largo e Rua das Hortas, Almada até à Senhora da Lapa e voltando por Santo Ovídio passa aos Ferradores, Cordoaria, Assentos das Virtudes onde se termina".

 

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Ramalde - Porto  (Porto Freguesias) escrito em quarta 19 setembro 2007 15:06

NASCIMENTO E ADMINISTRAÇÃO DA FREGUESIA

A freguesia de S. Salvador de Ramalde é mencionada pela primeira vez com o nome arcaico de Rianhaldy, nas Inquirições de D. Afonso III, em 1258. Porém, já aparece citada anteriormente, como lugar, num documento de 1222 em que a rainha D. Mafalda faz uma doação ao Mosteiro de Arouca.
A origem e crescimento do povoado de Rianhaldy perde-se nos tempos, antes da fundação da monarquia portuguesa, provavelmente entre 920 e 944, data em que chegaram ao território os monges de S. Bento. Assim começaria a história do julgado de Bouças e do seu antiquíssimo mosteiro beneditino. Este território pertenceu ao Padroado Real de D. Sancho I que depois o doou, em 1196, a sua filha D. Mafalda.
Na época de D. Sancho II o território denominava-se Ramunhaldy e era constituído por cinco lugares: Francos, Requezendi, Ramuhaldi Jusão e Ramuhaldi Susão (actualmente Ramalde do Meio).
Entre 1230 e 1835 pertenceu ao concelho de Bouças, o qual integrava também S. Mamede de Infesta, Matosinhos, Foz do Douro e um conjunto de vinte povoações.
Em 1895 foi integrado no concelho do Porto, como freguesia. Os seus limites eram assim definidos: a Norte o concelho de Matosinhos (Bouças); a Sul Lordelo do Ouro; a levante Paranhos e Cedofeita e a poente Aldoar.

 

EVOLUÇÃO DEMOGRÁFICA

É muito difícil caracterizar demograficamente com precisão esta freguesia no período anterior aos finais do século XIX. No entanto, pode dizer-se que em épocas anteriores Ramalde comportava uma população considerável, pois em 1757 possuía 407 fogos e em 1855 cerca de 600 fogos. Por outro lado, o forte crescimento da natalidade e a baixa taxa de mortalidade indiciam um incremento populacional.
No período que medeia entre os finais do século XIX até 1991, e devido à recolha de dados do "Census", já é possível fazer uma análise mais rigorosa da evolução demográfica.
Temos, assim, dois períodos: até aos finais do século XIX, fase que se caracteriza pela inexistência de "Census", e a partir dos finais do século XIX até à actualidade em que já existem "Census" para o estudo dessa evolução. Entre 1864 e 1981, S. Salvador de Ramalde manteve sempre um crescimento populacional positivo, sendo até muito elevado em certos períodos. No entanto, os "Census" preliminares de 1991 apontam, pela primeira vez, para uma taxa de crescimento populacional negativa. Analisando o segundo período, temos o seguinte quadro evolutivo:

Entre 1864 a 1900 um crescimento para mais do dobro. Este facto pode explicar-se pelo arranque do sector industrial e pela mobilização de uma crescente mão-de-obra que veio fixar-se em Ramalde.
Entre 1940 e 1950 e de 1960 a 1970, a população apresenta ritmos de crescimento que variam entre os 38,7% e os 44,5%, respectivamente. No período correspondente a 1940 - 50, este acréscimo pode talvez ser explicado pelo afluxo migratório das zonas rurais para as zonas urbanas.
Para o período de 1960 - 70, pode estabelecer-se uma relação de crescimento populacional e o desenvolvimento industrial que terá conduzido à fixação de mão-de-obra junto das unidades industriais. Porém, não deve ser alheia a este crescimento a implantação de grande número de bairros de habitação social a fim de fornecer alojamento a franjas de população deslocadas do centro do Porto, que apresentava, nesta fase, indícios de saturação.

 

ACELERAÇÃO DO URBANISMO NA ACTUALIDADE

O modo de vida de S. Salvador de Ramalde reflecte um processo de descaracterização sócio-cultural, em grande parte devido à aceleração da urbanização, nomeadamente a partir da década de 60.
Hoje o número de indivíduos que trabalham no sector primário é praticamente nulo (nos "Census" de 91 eram apenas 55) e os traços culturais dessa ruralidade quase se perderam, sendo desconhecidos entre a população mais jovem. Actualmente, 61,7% da população trabalha no sector terciário, seguindo-se 38,4% no sector secundário.
Nota-se, também, uma quebra de sociabilidade e relação de vizinhança, o que poderá ser explicado, em grande parte, por uma percentagem significativa da população activa trabalhar fora da freguesia, mantendo, assim, contactos privilegiados em diferentes espaços. A abertura de importantes ligações rodoviárias - que interessam mais ao Grande Porto do que propriamente às populações da freguesia - também não favorece, pelo contrário, as tradicionais relações de vizinhança e solidariedade.

 

HABITAT E URBANISMO

No início da industrialização da freguesia, a habitação operária designava-se por "ilha", alojamento muito precário, mas que permitia fixar mão-de-obra a baixo custo. Por outro lado ao patronato industrial vinha associado o crescente desenvolvimento de uma burguesia portuense industrial.
Estas "ilhas" eram também a única alternativa para uma incipiente classe operária cujo poder de compra era muito baixo, dada a prática corrente de baixos salários no início da industrialização -- princípio do século XX. Por fim, no plano de melhoramento da cidade "1956" e depois no plano director municipal "1962", a freguesia de Ramalde perde definitivamente a sua face camponesa e torna-se num espaço de preferência destinado à função residencial e ao sector secundário.
Os Planos indicados fizeram evoluir o centro da cidade para uma progressiva terciarização enquanto as zonas periféricas, como a freguesia de Ramalde, passaram a funcionar como espaços residenciais e de crescimento do sector secundário.
No que diz respeito aos espaços residenciais surgem novas realidades habitacionais que, de certo modo, pretendem substituir as "ilhas" da primeira fase: as habitações sociais. Este tipo de habitação pretende dar resposta ao aumento populacional da cidade numa época em que se põe em prática uma política de transferência administrativa de sectores de população do centro da cidade para a periferia, especialmente os que provêm de zonas degradadas.
A habitação social marca profundamente a ocupação na freguesia de Ramalde que se organiza fundamentalmente a partir da década de 60. Em contrapartida, e sem explicação, embora tenha sido Ramalde um território rural, parece não ter havido então a preocupação de criar espaços verdes. Na realidade, em toda a freguesia apenas existe uma zona de lazer e que não é pública. Trata-se do parque de campismo da cidade, ou parque da Prelada, que ocupa a quinta que pertenceu ao antigo solar dos Senhores da Prelada. A entrada principal abre-se para a rua do Monte dos Burgos, na saída para a Maia e Viana do Castelo já do lado Norte da Via de Cintura Interna.
Existe cerca de uma dúzia de bairros de habitação social, como os de Pereiró, Campinas, Ramalde, Viso, Francos, Ramalde do Meio, Bairro de Santo Eugénio...
Encontramos também a habitação privada mas degradada, as "ilhas" nas zonas de Pedro Hispano e João de Deus, Francos, Ramalde do Meio, Requesende, Pedro de Sousa e Pereiró.
A par deste tipo de habitação, aparecem as áreas residenciais de luxo: Avenida da Boavista, Zona Residencial da Boavista (Foco) e Avenida de Antunes Guimarães. Repare-se que as três zonas se situam nos limites da freguesia, a Sul e Leste.
Pode considerar-se que outro tipo de urbanismo está representado pela cidade cooperativa da Prelada inaugurada em 22 de Julho de 1993. Trata-se de uma união de cooperativas: "As Sete Bicas", "Ceta", "Hazal", "Portocoop", "Santo António das Antas", "Santo Ildefonso", "Solidariedade e Amizade", tendo como vizinha uma outra urbanização cooperativa, a "Nova Ramalde". O grande surto da habitação cooperativa surgiu após a revolução de 25 de Abril de 1974.

 
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S. Nicolau - Porto - Património da Humanidade  (Porto Freguesias) escrito em quarta 12 setembro 2007 11:10

A 5 de Dezembro de 1996 em reunião da UNESCO, realizada na Cidade do México, o Centro Histórico da Cidade do Porto, foi classificado como Património Mundial, abrindo á Cidade Invicta novas perspectivas, integrando-a na rota dos grandes valores da Humanidade. 

O processo de candidatura demorou quatro anos, mas foi levado a bom termo após difíceis lutas para fazer prevalecer os argumentos da sua mais que justa pretensão.

No final, o Comité da UNESCO entendeu bem essa razões, ao justificar a inclusão do Centro Histórico do Porto  no Património Mundial com estas judiciosas palavras:

 

«Tanto como cidade como realização humana, o Centro Histórico do Porto constitui uma obra-prima do génio criativo do homem. Interesses militares, comerciais, agrícolas e demográficos convergiram neste local para abrigar uma população capaz de edificar a cidade. O resultado é uma obra de arte altamente estética e única no seu género. Trata-se de um trabalho colectivo, que não resulta de uma obra de um só período, mas de contribuições sucessivas. » 

 

O Porto Património Mundial, estende-se por Quatro  freguesias da Cidade. São elas as freguesias da Sé, de Miragaia, de S. Nicolau e da Vitória.

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A freguesia de São Nicolau, com uma área de O, 21 quilómetros quadrados, ocupa o centro histórico da cidade do Porto, situando-se integralmente na Zona Histórica da Cidade, considerada Património Mundial.
O acesso à Freguesia faz-se pela Ponte D. Luís e por vários pontos da cidade, uma vez que se situa no coração da mesma.
Confronta com a freguesia da Vitória, a norte; com o rio Douro, a sul; com a freguesia da Sé, a nascente; e com Miragaia, a poente.
A origem das actuais freguesias remonta às paróquias eclesiásticas.
Ao longo dos séculos, a Igreja foi estruturando a sua acção, a partir dos pequenos núcleos populacionais de cariz rural, estabelecendo em torno deles as suas unidades de base: as paróquias eclesiásticas.
Na falta de níveis de organização da administração do Estado, disseminados pelo território, as paróquias eclesiásticas foram assumindo e realizando um conjunto de acções de natureza administrativa, fundamentalmente relacionadas com o estado civil dos cidadãos: registos de nascimento, registos de óbitos, assentos de casamento e administração dos cemitérios, entre outras.
A actividade das paróquias eclesiásticas, em domínio e funções da administração pública, manteve-se no foro da Igreja até 1830, quando, em pleno período liberal, as paróquias foram integradas num sistema administrativo do Estado, a par e em coincidência territorial com as paróquias eclesiásticas. Estas mantiveram as funções de administração eclesiástica, enquanto que, para as paróquias civis, passaram as funções de administração pública.
A criação desta Freguesia remonta ao século XVI.
Criada em 1583, a freguesia de São Nicolau afirmou-se rapidamente como o centro comercia! do Porto. Para tal, contribuiu a proximidade com o rio Douro, através do qual desciam até ao burgo, os produtos agrícolas. O pequeno comércio concentrava-se na área desta Freguesia. Em 1590, só na Praça da Ribeira, havia, de acordo com os dados fornecidos pelo investigador Ribeiro da Silva, sete regateiras de fruta e hortaliças, doze regateiras de peixe, seis lojas de azeite e uma pequena casa que fornecia comer.
Por ser o 'coração económico" da cidade do Porto, o labirinto de ruas, vielas, pátios e íngremes escadarias começaram a pulular de gente: mulheres com as mãos escamadas do peixe e marujos habituados às fainas fluviais conviviam em alegre, mas nem sempre pacífico frenesim, com os canastreiros, sapateiros, mercadores, sombreireiros e alfaiates que se instalaram nas casas alcandoradas da zona, entre santos protectores, ainda hoje fixados em nichos alumiados por lâmpadas de azeite.
Aliás, a religião polarizava as atenções da população, sempre militante nas procissões que enchiam a cidade, num cortejo hierarquicamente perfilado, em que cada um seguia na posição correspondente ao respectivo “status social”. Essa vertente religiosa pode verificar-se em monumentos, como as Igrejas de São Nicolau, de São Francisco, de São João Novo e dos Grilos.
A imagem de marca desta Freguesia é a presença do rio (com mais ou menos pontes) e da cascata de casas que descem sobre ele, em socalcos graníticos, desde a Sé e a Vitória, por entre ruas sinuosas e estreitas que, por terem a sua história, merecem que se recupere toda a sua dignidade, identidade e autenticidade, pois nelas repousa o melhor da memória colectiva de São Nicolau.
Actualmente, a Freguesia enfrenta graves problemas urbanos, que requerem medidas de acção rápidas e eficientes, a fim de evitar a ameaçadora delapidação do seu património cultural, social e humano. As casas a cair de podres; a ausência de espaços verdes; o esgaçar dos laços familiares provocado pela dependência da droga; o desleixo para com as crianças, que crescem por sua conta; e a situação precária de muitos idosos, abandonados pelos familiares à sua própria sorte, são alguns dos mais graves problemas com que São Nicolau se depara, causas e resultados da debandada populacional que afecta a (por quanto tempo ainda?) Freguesia mais densamente povoada da Região Norte.

 

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Paranhos - Porto  (Porto Freguesias) escrito em segunda 10 setembro 2007 12:20


(Mafalda Veiga, Susana Félix e Sofia Frois - Por Outras Palavras) 
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Paranhos é a maior freguesia da cidade do Porto e a terceira maior do país.

 De Paranhos de outros tempos à actualidade

 

Origem

 

Paranhos… Esta nomenclatura é a forma evoluída do primeiro vocábulo: Paramio. O actual nome surge pela primeira vez em documento datado do ano de 1689.

Antes da fundação do Condado Portucalense a freguesia de Paranhos já existia, sendo habitada por mouros ou árabes que se mantiveram nesta região até ao século X.

No ano de 1123 é realizada uma doação do padroado da Igreja de Paranhos ao Bispo do Porto, D. Hugo por parte de D. Elvira Trutesindes e por parte de Pio Mendes. Do padroado doado fazia parte um grande número de casais e quintas.

 

Em 1341, no século XIV, D. Afonso IV confirma à mitra do Porto o Couto de Paranhos, passando a jurisdição do Couto a pertencer ao Bispo do Porto, na altura, D. Vasco Martins. Por esta altura cerca de dois terços da freguesia pertencia aos senhores do cabido da Sé.

 

Registos Paroquiais

 

Foi no ano de 1587 que se realizaram os primeiros assentos de baptismos, casamentos e óbitos.

 

O primeiro baptismo com assento realizou-se em 29 de Novembro de 1587 com o nome de André. O primeiro assento de casamento aconteceu em 25 de Junho de 1588 entre Thomas Annes e Catarina Annes e o primeiro assento de óbito foi feito a 20 de Novembro do mesmo ano, com o funeral de João da aldeia de Lamas.

 

No século XIX, o ano em que se registaram mais baptismos (678), foi o de 1926. O ano com mais casamentos foi o de 1947 com 194 uniões e 1905 foi o ano em que se registaram mais óbitos, um total de 420.  

 

Paranhos e o Cerco do Porto

 

Paranhos teve uma importância crucial na vitória dos liberais sobre os absolutistas aquando do cerco dos miguelistas à cidade. A Quinta do Covelo, também denominada da Bela Vista, foi um ponto estratégico, uma vez que dela se podia ter uma vista de boa parte da cidade. Por esse motivo, as tropas miguelistas instalaram nesta Quinta uma bateria de canhões.

 

A nove de Abril desse mesmo ano, os liberais conseguem infiltrar-se na Quinta, tendo atacado os soldados absolutistas e tomado conta do reduto do Covelo. Esta foi sem dúvida uma importante vitória nesta luta que só terminou em 1834 com a vitória dos liberais.

 

Crescimento da Freguesia

 

Esta freguesia foi crescendo e desenvolvendo-se, aliás como a maior parte das freguesias, em torno da sua igreja. A igreja de Paranhos foi edificada por lavradores abastados no século X, em torno da qual foram nascendo casais e quintas, como estas continuaram a crescer, deram origem a lugares, entre eles Regado, Agueto, Couto, Igreja, Lamas, Tronco, Carvalhido, e Vale, estes já existiam em 1689. Em 1758 já existiam mais lugares, entre os quais, Amial, Bouça, Cruz da Regateira, Antas, Travessa, Azenha e Cabo. Existiam ainda os lugares de Casal, Fonte, Paranhos, Telheiro, Estrada, Monte Velho, Eira, Padrão, Pereira, Tojo, Aval, Cortes, Regueiras e Asprela.

 

Com base no Catálogo dos Bispos do Porto de D. Rodrigo da Cunha, sabemos que em 1623, Paranhos contava apenas com 246 habitantes. No ano de 1687, existiam em Paranhos 466 habitantes. Em 1758, segundo dados cedidos pelo pároco, o Reverendo João Carneiro da Silva havia nesta freguesia 806 habitantes.

 

Em 1766, Paranhos contava com 946 habitantes e em1801, há escritos que dão conta de 1541 habitantes na freguesia.

 

Desde o ano de 1837 que a freguesia de Paranhos foi integrada na cidade do Porto, tendo pertencido até esta data à antiga Terra da Maia.

 

Criação da Junta de Freguesia

 

Por decreto de 18-7-1835, foi criada nesta freguesia de Paranhos uma Junta de Freguesia que, até 1910 se chamou Junta de Paróquia, cuja sessão inaugural aconteceu em 1836.

 

Até 1851 a Junta esteve instalada na "Casa da Fábrica" da Igreja Paroquial. Depois desta data, mudou-se para a sacristia devido à "Casa da Fábrica" ameaçar ruir.

 

"Em Janeiro de 1882, mudava para a casa do Vice-Presidente, Gaspar Lucas d'Almeida, da Rua de Costa Cabral, 251; passados dois anos e até 1886, mudou para o N.º 227 da mesma rua.

 

Neste ano de 1886, é feita nova mudança para o edifício da escola do sexo masculino, à Rua do Vale Formoso, onde se conservou até ao fim do ano de 1889, e em Janeiro de 1890, finalmente, fixa-se a Junta de Paróquia no seu edifício privativo, à Rua da Lealdade (actual Rua de Álvaro de Castelões)..."

 

Para além da Junta de Paróquia instalaram-se no edifício, a Regedoria, o Posto de Registo Civil, um Posto Médico e duas escolas oficiais.

 

Actividades Económicas

 

Em finais do século XIX, já se denota em Paranhos um crescimento que embora lento, vai marcando a diferença, face às outras freguesias caracteristicamente rurais. Foram-se  formando duas ruas bastante compridas que espelhavam a atracção da população, sendo elas a chamada Rua da Rainha, actual Antero de Quental e Vale Formoso e a Rua de Costa Cabral. Os lugares do Covelo e Campo Lindo, forma também integrados na cidade.

 

No início do século XX, apenas oito das doze freguesias que faziam parte do concelho eram de cariz urbano. Foz, Lordelo, Paranhos e Campanha eram ainda freguesias marcadamente rurais, apesar de em Paranhos existirem já algumas artérias onde as lojas comerciais proliferavam, como a Rua de Costa Cabral, Álvaro de Castelões, Vale Formoso, São Dinis e Amial. Podemos mesmo afirmar, que apesar da agricultura ser a actividade à qual a maioria dos paranhenses se dedicava, havendo casas de lavoura que criavam gado bovino que era exportado para Inglaterra, até meados do século passado existiram bastantes fábricas nesta freguesia, fábricas de tecidos, fósforos, curtumes, louça de ferro, etc.

 

Um dos factores que teve um peso bastante considerável para o crescimento e desenvolvimento de Paranhos, foi sem dúvida o retorno de muitas pessoas que tinham em tempos emigrado para o Brasil. Quando regressaram à sua terra de origem, construíram casas, implementaram lojas e fábricas, atraindo assim a população.

 

Também em finais do século XIX, mais precisamente no ano de 1883, Paranhos ganha um hospital, que se deve ao benemérito Conde de Ferreira, que no seu testamento solicita a edificação de um hospital para alienados.

 

Os Transportes

 

É no ano de 1873 que é estabelecido o primeiro serviço público de transportes para Paranhos da Carris. Este serviço era feito por tracção animal, com os denominados “carros americanos”, puxados por uma ou duas parelhas de mulas. Na época eram feitos dois trajectos, um que ía do Bolhão à Praça da Aguardente, e outro da Praça de D. Pedro ao Largo do Campo Lindo.

 

Dez anos mais tarde, a Carris deixa de ter o exclusivo do serviço de transporte, pois surge uma outra empresa com sede na Rua de São Dinis, a Empresa Portuense de Carros Ripert. Esta empresa marca pela diferença, pois em vez de mulas, tem a puxar os carros bonitos cavalos e começou a fazer serviços para a vizinha São Mamede de Infesta.

 

Estes carros de tracção animal começaram a ser substituídos por veículos de tracção eléctrica a partir de 1895. Em 1899 experimentou-se a nova linha eléctrica cujo percurso era da Praça de D. Pedro até à Praça do Marquês de Pombal e que levou treze minutos a ser concluído.

 

Corria o ano de 1948 quando os Serviços de Transportes Colectivos do Porto realizam o seu primeiro serviço.

 

A Iluminação

 

É na última década do século XIX, mais propriamente em 1891, que Paranhos começa a ter iluminação pública.

 

Numa primeira fase, apenas da Rua de Álvaro Castelões onde se situava o edifício da Junta até à Igreja Paroquial havia iluminação. A iluminação chegou à Rua da Igreja no ano seguinte. Em 1897 foi a vez da rua do Cemitério e já no século XX as ruas de Delfim Maia, Arca de Água e as restantes artérias até ao ano de 1912.

 

Só na segunda década do século XX começou a substituição da iluminação a gás pela iluminação eléctrica.

 

As Ruas

 

 

Até finais do século XIX, as ruas e caminhos de Paranhos eram estreitas e de difícil trânsito, e só a partir de 1912 é que se começam a verificar verdadeiros melhoramentos nos arruamentos e nas vias de comunicação de Paranhos com as freguesias envolventes. Neste ano é rasgada a Rua de Delfim Maia, a Viela do Relógio transformada em Rua, a Rua de Costa e Almeida sofre reparações e a Rua do Lindo Vale é alargada. Este foi o início de muitos melhoramentos e inovação em termos das vias de comunicação. Nos anos 30 dos século XX, nasce a Rua do Bolama, no local onde anteriormente existia a Viela do Covelo, a Rua Augusto Lessa data igualmente desta década.

 

Saliente-se que a primeira via de comunicação que atravessou esta terra era uma via romana que data do ano 160. Em 1258, é rasgada outra via, a via veteris que ía do rio Douro, passava por Lordelo, Cedofeita, Custóias, Pedras Rubras e ía em direcção à ponte do Rio Ave. No século XVI, é aberta uma nova estrada até Viana do Castelo, era a estrada “Nove Irmãos”.  

 

As águas de Paranhos

 

 

Esta é uma Freguesia que possui apenas alguns regatos de pequena dimensão utilizados outrora pelos lavradores para regarem os seus terrenos de cultivo, pois esta, no século XIX e inícios do século XX era essencialmente uma terra de cariz rural.

 

Paranhos é sim, uma Freguesia conhecida pelas suas sete nascentes, com água de excelente qualidade, como as águas de Arca D’Água, utilizadas para abastecer toda a cidade do Porto, desde finais do século XVI. Da famosa Arca D’Água, partiam três nascentes da Arca Nova e quatro da Arca Velha.

 

Dada a elevada qualidade da água, os moradores da cidade ofereceram mil cruzados para a ajuda da construção do aqueduto, e o caudal da água ia até à actual Praça de Carlos Alberto e terminava à Porta do Olival, actual zona da Cordoaria.

 

 Desde inícios de 1903, pela altura da celebração de S. Miguel, realizava-se neste local, o Largo de Arca D’Água, a “Feira de S. Miguel”, famosa por ter uma duração de um a dois meses e pelas inúmeras “barraquinhas de comes e bebes” que aí se podiam encontrar.

 

Foi no ano de 1920 que Arca D’Água foi transformada em jardim, mas, não sem antes, ter sido palco de um famoso duelo em 1865, entre Antero de Quental e Ramalho Ortigão, pela polémica literária conhecida por “Questão Coimbrã”.

 

Ainda em 1950 Paranhos fornecia água a fontes, fontanários e bebedouros públicos, que permitiram à população abastecer-se de água antes da existência do abastecimento domiciliário.

 

Até 1945 quem pretendesse entrar na cidade via-se obrigado a pagar o imposto indirecto municipal, servindo a estrada da Circunvalação de marco fronteiriço para o efeito.

 

 

 

Na década de 50 do século XX, é inaugurado no lugar da Asprela o Hospital Geral de São João, outrora designado por Hospital Escolar da Cidade, por nele estar instalada a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

 

 Como o número de habitantes foi crescendo incessantemente, a freguesia foi-se transformando em termos paisagísticos. Muitos dos campos existentes, foram dando lugar à construção de edifícios, não só habitacionais, mas também institucionais. É portanto, no século XX, que começa a nascer uma freguesia de cariz urbano, com a pavimentação de ruas e caminhos, aproximação da freguesia ao centro da cidade através do melhoramento das vias, o que se traduziu numa maior mobilidade da população.

 

 

 

 Algumas curiosidades…

 

Rua do Amial:

 

Esta Rua, abarca parte do que em tempos era a Quinta do Tronco, o nome da Rua fica a dever-se aos inúmeros amieiros que em tempos existiam. Foi nesta Rua que passou o primeiro transporte público em Paranhos, no ano de 1873. O transporte consistia num carro americano puxado por uma ou duas parelhas de muares, partia diariamente de S. Mamede Infesta e terminava a viagem na actual Praça de Carlos Alberto, em frente da Antiga Tabacaria Havaneza

 

 

 

Rua Álvaro Castelões:

 

Esta foi a primeira rua da freguesia a ter iluminação pública a gás, vivia-se o ano de 1891, só em 1922 a electricidade chegou à freguesia. No fundo desta rua situa-se a Junta de Freguesia de Paranhos, criada por Decreto-lei de 18 de Julho de 1835 e até 1910 era

 

designada por Junta da Paróquia.

 

 

 

Praça Marquês de Pombal:

 

Foi conhecida antigamente por Largo da Aguardente, por se realizar neste local o mercado da aguardente. O coreto aí existente foi oferecido pelos moradores da Praça. Este local constituiu uma das linhas de defesa aquando das invasões francesas e das forças liberais durante o cerco do Porto.No ano de 1785 algumas pessoas devotas de Santo António ergueram uma capela denominada Santo António da Aguardente.  

 

 

 

Rua da Constituição:

 

O primeiro troço desta comprida rua a ser construído, ligava a antiga Praça da Aguardente, actual Praça Marquês de Pombal, à antiga Rua da Rainha, actual, Rua Antero de Quental, e a sua conclusão data de 1845. No ano de 1851 ainda rareavam as casas de habitação. As primeiras instalações do Futebol Clube do Porto, foram edificadas nesta rua.

 

 

 

Rua de Costa Cabral:

 

Foi nesta Rua que em 1882 foi aberta a segunda escola na freguesia. Era uma escola para crianças do sexo feminino, a primeira data de 1872. Antigamente, esta rua era a estrada que levava as pessoas da cidade do Porto a Guimarães, daí ter ficado conhecida como Estrada de Guimarães.  

 

 

 

O Hospital Conde Ferreira:

 

Este Hospital, mandado edificar por Joaquim Ferreira dos Santos, para o tratamento de doenças do foro mental, foi inaugurado em 24 de Março do ano 1883. Nos seus jardins podemos apreciar a estátua deste benemérito, mais conhecido por Conde Ferreira, numa obra do escultor portuense, Soares dos Reis.

 

Este Hospital Psiquiátrico, foi edificado no antigo Largo das Regateiras, hoje Largo da Cruz. Era assim denominado, pois as vendedeiras que vinham das terras da Maia à cidade, paravam neste largo para vender, regateando os preços, cantando e dançando.

 

 

 

O Cemitério:

 

Onde hoje está o cemitério de Paranhos, existiam em tempos bouças – as “Bouças do Agrelho”. As primeiras ossadas a serem trasladadas para aqui datam de 1879. Em 1910 o espaço já era insuficiente e teve de ser aumentado para o dobro. A construção do cemitério ficou a dever-se à proibição em 1835 de enterros no interior das igrejas e mais tarde nos adros das mesmas.

 

No cemitério de Paranhos esteve sepultada aquela a quem lhe chamam a “Santa de Paranhos”, a Beata Maria do Divino Coração, de nacionalidade alemã e origem aristocrática, que veio para o nosso país em 1894, para servir a Congregação do Bom Pastor. Nesse mesmo ano foi nomeada Superiora da Casa que a Congregação do Bom Pastor tem no Porto, mais precisamente na Rua do Vale Formoso, tendo aí permanecido até 1899, data da sua morte. Hoje, podemos visitar a capela e o quarto da Irmã Maria, daquilo que resta do já extinto Recolhimento do Bom Pastor.

 

 

 

Estrada da Circunvalação:

 

Esta via ficou concluída em 1897 e servia para limitar as fronteiras fiscais da cidade. Para a Freguesia de Paranhos ficaram estabelecidas as fronteiras da Areosa, Azenha, Amial e Monte dos Burgos, estas fronteiras mantiveram-se até 1943.

 

No final do século XX com a construção da Via de Cintura Interna, melhora significativamente o acesso à freguesia a outros pontos da cidade, melhorando e aumentando a comunicação entre a população e serviços.

 

 

 

 Apesar do seu perfil urbano, ainda hoje podemos descobrir os prazeres de uma freguesia que em tempos foi constituída por aldeias. Podemos encontrar pessoas que vendem pelas portas os legumes da horta, as que vendem à sua porta flores, a mercearia e a padaria onde se conhece o freguês, assistir e participar na procissão em honra de N.ª Senhora da Saúde, beber água num dos muitos fontanários que ainda vão resistindo à mudança, ou seja, costumes marcadamente rurais.

 

 Paranhos oferece uma dupla riqueza: viver e estar na cidade e usufruindo os seus serviços e meios, mas ao mesmo tempo desfrutar de uma tranquilidade bucólica, difícil de encontrar no meio urbano.


 

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