Home Data de criação : 07/04/29 Última atualização : 08/12/04 17:07 / 415 Artigos publicados
 

Porto História

Casa da Pedra - Cedofeita - Porto  (Porto História) escrito em quinta 20 março 2008 14:00


Numa das zonas desde sempre mais movimentadas do Porto, entre Ramalde e a zona ribeirinha, perto da Rua de Cedofeita, e fazendo esquina com a Rua da Boavista, fica a rua das Águas Férreas e a Casa da Pedra, singelo edifício urbano, em zona onde uma nascente de águas sulfúreas havia dado origem ao topónimo. Esta moradia serviu de residência ao escritor e filósofo Oliveira Martins, durante a sua estadia no Porto como administrador do Caminho-de-Ferro da Póvoa. A casa celebrizou-se então por ser o local de encontro dos intelectuais da Geração de 70, em tertúlias dinamizadas por Antero de Quental, , Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, ou Ramalho Ortigão, os quais, com Oliveira Martins, compunham o célebre Grupo dos Cinco.

A casa, construída no século XVIII, possui um jardim murado, e abre para a rua por um pequeno portal com um frontão recortado, decorado com uma flor-de-lis. Este jardim, em desníveis que acompanham as diferentes cotas das ruas limítrofes, integra algumas amenidades, como uma fonte, um tanque de granito, e esculturas decorativas, entre as quais uma escultura em homenagem a Oliveira Martins, da autoria do artista plástico José Rodrigues, aí colocada pela Câmara Municipal do Porto em 1995. A moradia em si é um corpo de planta rectangular, escalonada, constituída por rés-do-chão e primeiro andar articulados com um anexo térreo, de linhas muito simples. Ainda hoje é propriedade particular, com função residencial.

 


Joaquim Pedro de Oliveira Martins

Historiador português

 

Nasceu em Lisboa em 30 de Abril de 1845, e morreu em 24 de Agosto de 1894.

 

Devido à morte do pai, em 1857, não chegou a concluir o curso liceal, que o levaria à Escola Politécnica, para o curso de Engenheiro Militar, tendo que se empregar. Começou a trabalhar em casas comerciais, de 1858 a 1870, mas, nesse ano, devido à falência da empresa onde trabalhava, foi exercer funções de administrador de uma mina na Andaluzia, no Sul de Espanha. 

Regressou a Portugal em 1874, para dirigir a construção da linha férrea do Porto à Póvoa de Varzim e Famalicão, tendo sido administrador da respectiva Companhia ferroviária. Em 1878 tornou-se sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, e em 1880 foi eleito presidente da Sociedade de Geografia Comercial do Porto, tendo sido nomeado, em 1884, director do Museu Industrial e Comercial do Porto. Exerceu ainda as funções de administrador da Régie dos Tabacos, da Companhia de Moçambique e fez parte da comissão executiva da Exposição Industrial Portuguesa.

A sua vasta obra começa com a publicação, em 1867, do romance Febo Moniz, de intenção política quanto ao federalismo ibérico. Junta-se ao grupo que se reúne na farmácia em que o seu amigo Sousa Martins trabalha, e em que participa Luciano Cordeiro. Por influência de Luciano Cordeiro colaborará no jornal A Revolução de Setembro, onde saem os seus primeiros artigos sobre história e política social. Colaborará também no Jornal do Comércio, escrevendo em Setembro de 1869 uma série de 5 artigos com o título «Do princípio federativo e sua aplicação à Península Hispânica» . É também desta época a publicação do opúsculo Teófilo Braga e o Cancioneiro e o Romanceiro Português (1869), que é fruto da correspondência trocada entre ambos, tendo como tema fundamental o iberismo e as tentativas de Oliveira Martins fazer teatro de intenção social. As peças que acaba por escrever (A Tragédia do Jogral, Afonso VI, O Abade e O Mundo Novo) nunca serão levadas à cena e algumas ainda se mantêm inéditas. Tentará também a poesia com o Traga-Mouros, sendo admitido, em princípios de 1870 no Cenáculo de Antero Quental e José Fontana.

Nesse ano, lança o jornal de feição socialista A República, com Antero, Eça de Queirós, Manuel de Arriaga, Luciano Cordeiro, Batalha Reis e Teófilo Braga, no mesmo ano em que o marechal Saldanha realiza o seu último golpe de estado - a Saldanhada. O jornal desaparece tão rapidamente como o governo do marechal, levando Oliveira Martins a ir viver para Espanha.

Em Espanha escreverá Os Lusíadas - Ensaio sobre Camões e a sua Obra, em relação à Sociedade Portuguesa e ao Movimento da Renascença (1872), que motivou uma larga polémica com Teófilo Braga sobre o moçarabismo, A Teoria do Socialismo - Evolução Política e Económica das Sociedades da Europa (1872), Portugal e o Socialismo - Exame Constitucional da Sociedade Portuguesa e a sua Reorganização pelo Socialismo (1873), colaborando nos jornais socialistas que os amigos de Lisboa vão lançando: Pensamento. Social, Democracia e República Federal.

Em 1874 vai viver para o Porto. Nos dois primeiros anos, entregue à empreitada do caminho de ferro não consegue escrever muito, tirando um ou outro artigo para a Revista Ocidental, publicação iberista que fundara e em que colaboraram Rodrigues de Freitas, Gomes Leal, Antero de Quental, Batalha Reis e onde Eça de Queirós publica a primeira versão de O Crime do Padre Amaro.

Não tendo conseguido ser escolhido pelo Partido Regenerador para ser apresentado às eleições, devido à recusa de Fontes Pereira de Melo, escreve A Reorganização do Banco de Portugal (1877), onde defende a existência de um banco emissor único, e no ano seguinte A Circulação Fiduciária, memória apresentada à Academia das Ciências de Lisboa. Nesse ano de 1878 publica também as Eleições, onde propõe a representação orgânica, e ainda O Helenismo e a Civilização Cristã..

Em 1878 e em 1879 concorre às eleições, no Porto, pelo Partido Socialista, tendo recebido 37 votos no primeiro ano e 40 na segunda tentativa, «numa cidade onde há 2.000 ou 3.000 operários fabris!», como comentaria. A impossibilidade de entrar na vida política, devido à recusa do Partido Regenerador, à debilidade do Partido Socialista e ao corte com o Partido Republicano, levam-no a lançar a Biblioteca das Ciências Sociais. O projecto, anunciado pela firma Viúva Bertrand & Comp. Sucs., destina-se ao público em geral, mas também ao estudantes do ensino secundário, e Oliveira Martins pretende realizá-lo sozinho.

Os primeiros volumes são a História da Civilização Ibérica, publicado em Maio de 1879, com uma tiragem de 500 exemplares, e logo a seguir, em Outubro, a História de Portugal. Até Outubro de 1884 irão seguir-se mais 7 volumes.

Entretanto, a partir de 1880, a sua vida pública progride rapidamente sendo eleito presidente da Sociedade de Geografia Comercial do Porto, escolhido para redigir o Relatório da Comissão de Inquérito Industrial do Norte do País e nomeado para a Comissão Reguladora dos Trabalhos dos Operários. Em 1884, António Augusto de Aguiar nomeia-o director da Escola e Museu Industrial e Comercial do Porto, ano em que publica o último livro da Biblioteca, a História da República Romana, em que descreve a vida de Júlio César. Em 1885, colige vários artigos dispersos por órgãos da imprensa nacional e lança, por intermédio do prefácio à compilação, o programa da «Vida Nova», de acordo com o dirigente do Partido Progressista, Anselmo Braamcamp, lançando um jornal - A Província - para divulgar o seu programa político. Mas Braamcamp morre nesse mesmo ano, e é substituído por Luciano de Castro, e o programa é rapidamente esquecido. De facto, em 1886, eleito deputado por Viana do Castelo e chamado Luciano de Castro a formar governo, não entrará no governo progressista porque as Finanças (a «Fazenda») são dadas a Mariano de Carvalho e ele recusa as Obras Públicas, não se criando para ele o ministério da Agricultura. Vinga-se apresentando nas Cortes um «Projecto de Lei sobre o Fomento Rural», mas que é rapidamente esquecido.

Funda a Companhia de Moçambique e passa da Província para a direcção de O Repórter, cargo que ocupa por pouco tempo. Em 1889, Mariano de Carvalho nomeia-o para a Régie dos Tabacos, cargo que ocupará durante dois anos. Tendo recusado a pasta da Fazenda, que lhe foi oferecida pelo novo rei, D. Carlos, representa o governo em diferentes conferências internacionais. Em Fevereiro de 1892 aceita finalmente a pasta das Finanças no ministério de Dias Ferreira. Trabalha afincadamente nos primeiros tempos, mas o presidente do conselho não gosta da sua independência. Entram em conflito e Oliveira Martins é obrigado a demitir-se. Vai para Londres, regressando nesse mesmo ano, tendo sido eleito deputado pelo Porto. Discursará em 6 e 7 de Fevereiro de 1893, explicando a sua passagem pelo governo. É eleito pela Câmara dos Deputados membro da Junta de Crédito Público. Dedica-se a escrever a Vida de Nun'Álvares e a preparar o Príncipe Perfeito. Já doente parte para Espanha, para se documentar sobre a Batalha de Toro, regressando bastante pior. Vai para Setúbal, onde escreve o 1.º capítulo de O Príncipe Perfeito. Morre em 24 de Agosto de 1894.

Tinha casado em 10 de Março de 1865 com Vitória de Mascarenhas Barbosa, não tendo tido descendência.

 


 

Fontes:

Foto: Manuel de Sousa

Casa:  IPPAR

Biografia: Joel Serrão

 


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Postigo do Carvão - Porto  (Porto História) escrito em terça 04 março 2008 09:14

 


Das 18 portas e postigos das Muralhas Fernandinas, construídas no século XIV em torno da cidade do Porto, o Postigo do Carvão é o único que sobreviveu até aos nossos dias.

Embora pouco perceptível, localiza-se entre a rua da Fonte Taurina e o Cais da Estiva ou da Alfândega Velha.

Entre as suas pedras encontrava-se uma inscrição gótica que assinalava o facto de se ter mandado um vedor examinar as âncoras de Gaia, «para pôr uma cadeia e amarração», na era de 1386.


Foto: Manuel de Sousa

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Monte do Castelo de Gaia  (Porto História) escrito em sexta 29 fevereiro 2008 11:35



No cerro situado na margem esquerda do Douro, e próximo da foz deste caudaloso rio, existiu, em épocas remotíssimas, um Castro, aonde mais tarde os romanos estabeleceram a povoação de CALE e, na princípio da era cristã, levantaram um grande e forte Castelo.

Tão famoso monumento – o Castelo – está muita ligado à vida histórica da antiga povoação de CALE e, também, a uma outra fundada no sopé da cerro, marginando com as águas do Douro, à qual foi dada a nome de Gaia.

Não existe, presentemente, este monumento, que esteve erguido durante 15 Séculos, mas tem continuada a ser revivida no nome da povoação em que esteve erecto – Castelo – e no antigo e actual brasão de armas da Município de Gaia.

* * *

 

O castelo de Gaia foi tomado pelo príncipe D. Afonso, filho do rei D. Dinis, no dia 4 de Janeiro de 1322.

Anos depois, o príncipe D. Pedro, ao saber que seu pai, D. Afonso IV, tinha autorizado a morte de D. Inês de Castro, promoveu a revolta contra o seu progenitor, por várias terras do país, e, também, se apossou do Castelo de Gaia.

O primeiro alcaide, que teve o Castelo de Gaia, foi Rodrigo Anes de Sá, nomeado pelo rei D. Pedro I, em 29 de Julho de 1357. (38)


 

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Em 1366, o abade do mosteiro de Pedroso forneceu 20 carros de lenha para o Castelo de Gaia.

Também, pelo mesmo mosteiro, foram cedidos bois e carros para serviços de reparação deste monumento. (39)


 

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No ano de 1385, os portuenses, pretextando desacordos com o alcaide Aires Gomes de Sá, assaltaram o castelo e o danificaram a ponto de não ter mais nenhum alcaide.


 

* * *

 

O Dr. João de Barros, que foi escrivão da Câmara do rei D. João III, escreveu:
«...está o castelo de Gaia em um lugar alto e mui aprazível.»
«Este castelo é já derribado, que a cidade já derribou.»
«Ê tão antigo que dizem que o fundou Caio Júlio César.»
«E nele estavam umas pedras com o nome de Caio César.»

Verifica-se, por este depoimento, tanto a proveniência românica do Castelo, como também a destruição do mesmo pelos Portuenses.


 

* * *

 

O Foral de Vila Nova de Gaia dado pelo rei D. Manuel I, insere:
«Pello caseyro do castelo de Gaya setecentos reaaes.»


 

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Em 27 de Setembro de 1580, fugindo das tropas castelhanas, chegou a Gaia o desditoso D. António Prior do Crato.

Durante a sua permanência, em Gaia, foi cumulado de atenções por D. Martim Vaz de Cernache, sexto donatário, em linha varonil, da casa Campo Belo.

Tanto por este facto, como também por este brioso fidalgo não ter acedido aos rogos de Cristóvão de Moura para vender-se ao oiro de D. Filipe II, de Castela, consoante o fizeram tantos outros membros da nobreza lusitana, sofreu os mais graves sobressaltos, entre eles o do ateamento do fogo, feito pelas tropas filipinas, à maior parte das dependências do seu solar.

A nobre casa Campo Belo tem continuado, desde 1385 até ao momento, sempre, na posse dos descendentes do seu fundador, Álvaro Anes de Cernache, que foi o heróico alferes-mor da Ala dos Namorados na gloriosa batalha de Aljubarrota.

Com efeito, em Portugal, a casa Campo Belo, entre as demais pertencentes a famílias nobres, é a mais antiga das que são possuídas pelos descendentes dos seus fundadores.

Presentemente, esta notabilíssima casa Gaiense é representada pelo seu XVI donatário, o Sr. D. Henrique Leite de Pereira de Paiva Távora e Cernache, 4.°conde de Campo Belo (40).

* * *

 

Ouçamos, mais uma vez, o Dr. João de Barros:
«Tem a cidade o arrabalde de Vila Nova, cuja paróquia é Santa Marinha e junto dela está o Castelo de Gaia
(41).

Vemos que, nesta época, a igreja matriz estava perto do castelo, mas não há, presentemente, nenhuns vestígios deste templo.

Há notícia de haverem existido, junto a este monumento, a capela de São Marcos, da qual se diz, por tradição, «que fora a primeira Sé» (42); a capela de Nossa Senhora do Castelo (43); a capela de Nossa Senhora da Piedade e a capela de S. Lourenço, Mártir (44).

Presentemente ao serviço do culto, só existe a igreja do Bom Jesus de Gaia, que, pela sua antiguidade, usufrui muitas preeminências religiosas.

No cais de Gaia há um oratório de invocação ao Senhor da Boa Passagem.




* * *

 

Comprova-se que ao redor do Castelo de Gaia havia, além da igreja matriz, outros templos e todos de remota antiguidade.

A actual igreja paroquial foi mandada construir pelo Cabido da Sé do Porto, em 13 de Setembro de 1745.

Até à sua abertura ao culto, no ano de 1753, o mesmo Cabido despendeu a importância de 9231$99,4.


 

* * *

 

No cais de Gaia também estava erigido o pelourinho do concelho de Cima, mas foi destruído, em 23 de Dezembro de 1909, pelas águas do Douro. (45)

Um outro pelourinho, pertencente ao concelho de Baixo, situado ao poente do cunhal da casa, onde estão instalados os escritórios da firma Sandeman & Cª, foi derrubado, pelas águas do Douro, em 11 de Janeiro de 1821. (46)




* * *

 

Os generais do exército liberal, logo que entraram no Porto, mandaram ocupar o convento da Serra do Pilar, que fora abandonado pelos seus monges.

E, como em 8 de Setembro de 1832, as tropas miguelistas pretenderam retomar este baluarte, foi o coronel Bernardo de Sã Nogueira (47) dar-lhe combate ao alto da Bandeira, onde ficou ferido por um tiro no braço direito. (48)

Todavia, os generais de D. Miguel, desde o amanhecer do dia 13 de Outubro de 1832 até às 2 horas da tarde do dia seguinte, com o propósito de retomarem este reduto, único, em Gaia, na posse dos liberais, assestaram, contra o convento, o fogo de artilharia de 5 baterias (49), sempre e ininterruptamente, durante 33 horas.

Uma hora depois, três colunas investiram contra as trincheiras, sendo a luta duríssima, porquanto, mais duas vezes, outro número de colunas renovaram o assalto, bastando dizer-se que era já quase noite quando as tropas miguelistas debandaram, deixando no campo e junto às trincheiras liberais cerca de 800 mortos e feridos (50) e os defensores uma perda de 5 oficiais e 64 soldados.

No número dos defensores da Serra do Pilar ,estavam bastantes Gaienses dentre os quais o, então, sacerdote Manuel Bento Rodrigues, que, mais tarde, foi bispo-conde de Coimbra, donde transitou para a Sé de Lisboa, como cardeal-patriarca. (51)

A vitória dos heróicos defensores do reduto liberal de Gaia, comandados pelo bravo José António da Silva Torres (52), mereceu a D. Pedro a honra de os glorificar com o epíteto de Polacos da Serra.

Merece, pois, registar-se a cooperação que os filhos de Gaia deram para o triunfo da batalha de 14 de Outubro de 1832, (53).

Os generais de D. Miguel, em represália às suas derrotas, autorizaram o ateamento do fogo a alguns dos armazéns da actual Companhia Velha, façanha bárbara, que redundou na perda de 15.000 pipas de vinhos velhíssimos e tratados, e de aguardente vínica, no valor de 2.000.000$00 naquela época.

Dois dias depois, a 18 de Agosto de 1833, retiraram de Gaia as tropas de D. Miguel.

O terreno onde esteve erigido o castelo foi vendido pela Estado.

Um dos seus possuidores mandou ali erguer, com face para o caminho, um grande edifício, cujo último donatário o legou à Santa Casa da Misericórdia da Porto, para nele instalar-se um asilo de cegos pobres e abandonados.

Enfim, parecendo altos juízos de Deus, próximo do sítio em que esteve erigido o Castelo, surgiu um outro monumento com a bendita designação: Asilo dos Cegos Pereira de Lima.

E, tão venerando estabelecimento de caridade, está altaneiramente situado na Rua do Castelo.

O Castelo que foi erigido, na antiquíssima CALE, pelos romanos; o Castelo que está celebrizado na aventura do rei D. Ramiro; o Castelo que teve alcaides desde 1357 a 1385; o Castelo que, desde 1834 até ao momento, tem figurado nos brasões do município de Gaia; o Castelo, enfim, que já deu nome à povoação em que existiu, merece que seja perpetuado por um monumento, que o relembre através de todos os tempos.


 

* * *

Sabemos que a Sr. Dr. Fernando Jorge de Azevedo Moreira, muito digno presidente do município, ufana-se em ter ascendência Gaiense; sabemos que o Sr. Mário Lapa, benquisto presidente da Junta da Freguesia de Santa Marinha, é gaiense nato e sabemos mais, que, ambos têm vontade de nobilitar a grande Vila Nova de Gaia.

Nesta conformidade, esperamos que, dentro de breve prazo de tempo, tenhamos o prazer, na qualidade de velhos Gaienses, de ver inaugurado, no sítio onde existiu durante 15 séculos, um obelisco ou padrão representativo e perpetuador do famoso Castelo de Gaia.

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(38) Corpus Codicum da Câmara do Porto. V. 2 pág. 134.

(39) Pergaminhos nº 196 e 209 do .hrq. da U. de Coimbra.

(40) Muitos ilustres membros da casa Campo Belo figuram nas páginas da história da pátria.

(41) Geografia de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes. Pág. 37.

(42) O seu terreno e materiais foram vendidos, pelo Cabido da Sé do Porto, a João Salgado de Almeida, em 31 de Outubro de 1745.

(43) O terreno desta capela foi vendido a uma casa inglesa.

(44) Estas capelas foram destruídas, por tiros de canhões, durante a luta do cerco do Porto (1832-1833).

(45) Até ao momento, foi esta a maior cheia do rio Douro.

(46) Antes de 1834, a Vila de Gaia compreendia dois concelhos: o de Baixo, ocupava a área desde a actual ponte de D. Luís I até à entrada da Rua das Costeiras, e com a largura desde o rio até à fonte do Cabeçudo, exclusive; o de Cima, abrangia toda a restante parte da actual freguesia de Santa Marinha.

(47) Mais tarde visconde e marquês de Sã da Bandeira.

(48) Foi-lhe amputado, dias depois, e inumado no terreno onde, presentemente está o edifício das Encomendas Postais, da cidade do Porto.

(49) 0 exército de D. Miguel colocou baterias de artilharia nos seguintes pontos: Cabedelo, Monte da Afurada. Verdinho, Castelo de Gaia, Pinhal de D. Leonor, Barrosa e Campo Belo.

(50) O brigadeiro Francisco Magalhães Peixoto Portugal era natural de Vila Real e faleceu, dois dias depois, em casa de João Rodrigues da Cruz - o Susano -, na Bandeira, e foi sepultado na capela da Quinta do Mravedi, de Mafamude.

(51) Foi cardeal-patriarca desde 23 de Abril de 1858 a 26 de Setembro de 1869, data em que faleceu.

(52) Foi agraciado com o título de Visconde da Serra do Pilar

(53) Em homenagem aos heróicos Gaienses que combateram nesta memorável batalha, a Câmara de Gaia, em 14 de Outubro de 1882, deliberou dar o nome de Polacos da Serra à rua fronteira da porta de armas do actual Regimento de Artilharia Pesada nº 2, aquartelado no antigo mosteiro da serra do Pilar.



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Cidade do Porto  (Porto História) escrito em quarta 28 novembro 2007 14:08

 


Evolução de uma Cidade no Tempo e no Espaço

A primeira vez que aparece na história o nome próprio de Portucale é ao terminar o Império Romano, no Cronicon de Idácio, nos anos 456 e 459. Mas o cronista fá-lo acompanhar dos apelativos locus e castrum, e diz que Braga, no ano 456, era a última cidade da Galiza. Daqui se vê que não reconheceu o Porto como cidade, pois neste caso seria esta a última de Galiza. Idácio era natural do país e por isso, sabia muito bem que no rio Douro terminava a Galiza; portanto o Portucale locum,  colocado por ele nas extremas sedes desta Provincia, só podia ficar na margem direita daquele rio, onde ela acabava. Ora conforme diz o primeiro elemento da sua denominação, "portu", era o porto que servia a Calem ou Cale, do lado da Galaecia, ao norte do rio e sem fortaleza (Idácio claramente o distingue do outro, munido de castrum). O Portucale castrum, pelo contrário, devia ficar na margem esquerda do Douro e em sítio elevado, porque só nestes se constróem os castros. Calem ou Cale teria sido na sua origem uma citânia lusitana, erigida numa eminência, e aproveitada depois pelos romanos para estação de via militar de Lisboa e Braga, da qual vinham os passageiros embarcar em baixo. A mudança do seu primitivo nome deve-se, por certo, à influência determinante do embarque nas funções da estação, e por este motivo, portus veio a prefixar-se no topónimo originário; todavia, no tempo do citado cronista, aquela citânia romanizada, em face do epíteto "castrum", voltou a ser fortificada, certamente, à entrada dos povos germânicos. Resumindo, no domínio romano, no alto da vertente esquerda do Douro ficava a última estação da via militar de Lisboa a Braga, chamada Calem no  "Itinerário" de António do princípio do séc. IV, e Portucalem castrum no Cronicon de Idácio, escritor do meado do séc. V na margem direita. Formou-se uma povoação em sítio capaz de ser atracado pelos barcos, que completavam a via ou estrada interrompida pelo rio, e indispensável, quer para abrigo dos passageiros do Norte nos dias de temporal, em que a travessia exigia demora, quer para entreposto de mercadorias da Galaecia. Era o Portucalem locum de Idácio, o qual com a maior probabilidade, devia ficar no mesmo sítio da Vila Baixa das Inquirições, a Oeste de Miragaia, fora do Couto da Sé, pois o bispo exigiu o pagamento da portagem aos moradores dela. No séc. VI esta povoação  foi elevada à categoria de cidade pelos Suevos, que transferiram para aqui a Sé Episcopal de Meinedo entre 572 e 585. No alto da vertente direita do Douro levantou-se a Igreja, que foi a primeira Catedral portucalense, e, a par dela, formou-se uma povoação que abastecida provavelmente no princípio com elementos do Portucale romano marginal. No princípio do séc. VIII a cidade do Porto foi destruída pelo Árabes ou Mouros, invasores e dominadores. Contudo este domínio dos Árabes na Galiza foi passageiro e pouco seguro, no entanto a reacção contra a conquista Árabe não se fez esperar. Pelagio e alguns bravos companheiros refugiaram-se nas Asturias. Levantaram ali o estandarte duma guerra de independência e de Religião e não só mantiveram autónoma esta Província, mas também no decurso do tempo, dilataram os seus limites por novas e sucessivas vitórias alcançadas contra os Árabes, até que de todo os expulsaram da Península. No fim do séc. IX D. Afonso III de Leão, iniciou a restauração da cidade do Porto, e é de crer que data dele a primeira fortificação, pois no fragmento das atas do chamado Concílio de Lugo, atribuídas ao séc. X, aparece-nos o Portucale locum, denominado Castrum novum, e o Portucale castrum, com o nome de Castrum antiquum. No princípio do séc. XI, se não falham  velhas narrativas, aportou na Foz do Douro uma armada de Gascões ou Vascões (Bascos), que, fixando-se na cidade deserta, a fortaleceram e povoaram definitivamente. Todavia, quanto à restauração dos primitivos muros do Porto, feitos por D. Afonso III (866-910), e arrazados em 997 por Almonçor, não parece ser obra dos Gascões, como dizem alguns escritores, mas de Fernando Magno (1037-1065), ordenada por este monarca após as suas conquistas definitivas da Beira. Isso resulta da Epistola sobre a expugnação de Lisboa, onde o seu autor conta, em 1147, que, tendo sido assolada a cidade do Porto (Portugala) por uma grande incursão de Sarracenos, os estragos foram reparados havia uns oitenta anos. Ora, deduzindo estes 80 anos a 1147, concluem-se que se fez a restauração aí por 1067, isto é, quase no fim do reinado de Fernando Magno.  Esses primitivos muros, que circundavam e defendiam o velho Burgo portucalense, existiam ainda no séc. XVII, pois Fr. Manuel da Esperança, natural do Porto, regista-os na sua História Serfica, deste modo: "Ainda hoje ostenta (o monte da Sé) sobre a sua cabeça uma coroa de muros, cêrca da cidade velha, abertos por quatro portas com tribunas e altares, onde se oferece a Deus no sacrifício da Missa a imaculada Hostia". Essas quatro portas ou entradas eram: a principal o Arco de Vandoma, que ficava ao nascente do velho Burgo, a entestar com o largo da Sé e a rua Chã (Chão das Eiras); daí declinava o muro monte abaixo, costeando as Escadas das Verdades, onde estava o Arco da Porta das Mentiras; tornejava pelo alto do Barredo, angulando sobranceiro ao Rio da Vila, que desaguava a descoberto no fundo da actual rua de S. João; rasgava-se no Arco ou Postigo de Santa Ana das Aldas, e, prosseguindo, formava o Arco ou Porta de S. Sebastião, onde se recurvava para fechar o circuito. No princípio do séc. XII  restaurou-se a Diocese do Porto com a eleição do Bispo D. Hugo, Arcediago da Sé de Compostela, e pupilo do poderoso Bispo compostelano D. Diogo Gelmires. Com a protecção deste Prelado obteve D. Hugo para a sua Igreja do Porto da Rainha D. Teresa, em 1120, a doação do Burgo portucalense, já referido, e do seu Couto, isto é, do território adjacente convertido em Couto, cujos limites fixou no respectivo diploma. De modo que o território adjacente coutado à Sé portucalense parece ser um triângulo irregular, tendo por base a linha do Douro, que vai de Noêda (Campanhã) ao ribeiro de Miragaia, tocando pela ponta na Igreja de Paranhos. Três anos depois, o Bispo D. Hugo que tinha conseguido como favor político esta doação do Burgo contiguo à Sé e do Couto adjacente, para a consolidar deu Foral à Povoação (1123, modelado pelo de Sahagun, cujos doados eram ambos franceses. D. Hugo, o grande Bispo francês, foi, sem dúvida, o verdadeiro povoador da cidade. De D. Afonso Henriques, que muitas vezes cá esteve, e em cujo reinado apareceu - diz a  lenda - a imagem de Senhora da Silva, nuns silvados do monte da Sé, e foi começada a construir a catedral, onde ainda há um altar em que a dita Senhora se venera. Dos Cruzados do Norte que, em 1147, de passagem pela nossa costa, subiram ao monte da Sé, e no adro da primitiva ermida que lá havia, ouviram o famoso sermão de D. Pedro Pitões, incitando-os à conquista de Lisboa aos Mouros. São coevas destes sucessos, embora pelas construções que as orlavam tivessem outro aspecto, muitas das escuras e estreitas ruelas e pouco vastos largos das imediações da Sé. Necessidades indiscutíveis de urbanização, obrigaram há pouco tempo a alterar o aspecto de algumas dessas ruas e a fazer desaparecer outras inteiramente. Já não existem pois o Largo do Colégio, o Largo do Paço, a Rua de Nossa Senhora de Agosto; foram demolidas a Capela dos Alfaiates, outra situada em frente da Igreja da Sé, e a casa brasonada que lhe ficava próxima. No séc. XIV começaram a ser construídas as muralhas que, abraçavam, muito por longe, o nome de Muralhas Fernandinas. O Porto era já a cidade mais importante do norte do país, e uma das mais activas e populosas de Portugal, embora não chegasse talvez a contar, mesmo incluindo o arrabalde mais chegado, cinco ou seis mil almas. Prosperara enormemente. Dentro do seu novo âmbito ficavam agora a velha e extensa Chã das Eiras; o Lugar do Carvalhos do Monte, onde se ergueria o mosteiro de Santa Clara; O Monte da Cividade (alto do Corpo da Guarda) - topónimo revelador da remotíssima existência ali dum lugarejo pré-romano, que presumivelmente viera depois a ser a romana Cale; ficavam ainda pela encosta abaixo até ao Douro, as ruas que conduziam ao antigo bairro da Ribeira núcleo demográfico de relativa importância, e, do outro lado do Rio da Vila, o monte da Vitória em cujo cimo se estabeleceria no fim do séc. XIV por ordem de D. João I a Judiaria do Olival. Pertenceram a esta Judiaria, as Ruas de S. Bento da Vitória, de S. Miguel e da Vitória; dos seus primeiros habitantes, perdura ainda a recordação toponímica nas Escadas da Esnoga (ou da Sinagoga). Disse no séc. XVI o Dr. João de Barros, na sua Geografia d'Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes: - "A Cidade do Porto, que he cabeça da Comarca... he hua Cidade muito notável e das princípais deste Reino, pellas cousas insignes que tem, a coal está iunto ao Rio Douro, hua legoa do mar, onde chegarão todas as naos e navios que vem de toda a parte a ella. Esta cercada de muro de cantaria mui forte, que se fes em tempo del Rey Dom Fernando, deste Reino, no coal ha  trinta torres fortes e altas e dose portas e postigos por onde se serue." Na Rua nova, futura dos Ingleses e actualmente do Infante D. Henrique, que então se começou a abrir, em breve passaria a instalar-se o "alto-tráfico, onde brotaram e vigoraram até hoje - escreveu há cinquenta anos Ricardo Jorge - as instituições duma sólida organização comercial marítima, que tem sido a força prosperadora, sempre activa, do engrandecimento da nossa terra". Fora das Muralhas Fernandinas, havia, desde longos tempos, antigos núcleos de população, o mais importante e típico dos quais, o de Miragaia, lhes estava contíguo. Lá existira a velha Judiaria, com a sua sinagoga, depois integrada no Convento de Monchique, e ainda lá existe hoje o Monte dos Judeus com a sua centenária Escada... No séc. XVII, o Porto, começando a não caber dentro das suas segundas muralhas, lança para fora múltiplos braços tentaculares. As zona circundante, então ocupada por casais, olivedos, vimiais, laranjais e campos de cultura - O Largo do Moinho de Vento atesta no seu nome a sua antiga situação montesinha - vão-se abrindo ruas que rapidamente se povoam de casas. Constroe-se o Recolhimento do Anjo, no local onde se erguia... O Mercado. No Campo das Hortas estabelece-se em princípios do séc. XVIII a Praça Nova. Na segunda metade do mesmo século o Governador João de Almada, rasga a rua do Almada, e o seu sucessor, Francisco de Almada e Medonça constrói ousadamente a Rua de Santo António. Na Cordoaria instala-se o Hospício dos Capuchos de Santo António do Vale da Piedade. Na Rua da Fábrica constroem-se mais edifícios. Fez-se o passeio das Fontainhas, Teatro de S. João, Praça de Santo Óvideo e respectivo quartel, etc. ... As lutas liberais da primeira metade do séc. XIX, fizeram suspender esse notável surto do desenvolvimento material da cidade. Mas depois, os progressos acentuaram-se vertiginosamente. Até 1836 o Porto tinha sete freguesias: Sé, Vitória, S. Nicolau, Santo Ildefonso, Miragaia, Massarelos e Cedofeita. Pelo Decreto de 26 de Novembro do citado ano, foram-lhe anexadas Lordelo do Ouro, Campanhã, e S. João da Foz, e por carta de Lei de 27 de Setembro do ano imediato nova anexação se fez; a da freguesia de Paranhos. Na origem das cidades, é a função militar talvez a mais importante, e por ela podemos fazer uma ideia do papel desempenhado  pelas acrópoles. O caso do Porto é incluído nesta categoria pela sua situação antiga, de última terra da Galiza. Hoje a importância desta função, é mínima como se compreende. A função política é de facto uma função muito importante de tal modo que só por si explica a graduação existente entre uma simples comarca e a capital de um país. Olhando o mapa da Europa, vê-se que as capitais são geralmente as cidades maiores. O desenvolvimento duma capital, explica-se pela sua tendência a centralizar todos os serviços públicos. A função económica pode subdividir-se em: agrícola encruzilhada, comercial e industrial, estas duas últimas reflectem o caso do Porto. Toda a cidade é, mais ou menos, um lugar de trocas; a cidade deve-se aos comerciantes; o direito do mercado é um facto capital na formação duma cidade. No Porto não se deu apenas o caso do comércio local, mas também o caso do transo e portos francos, na sua exportação de vinho para todos os continentes. O desenvolvimento da grande indústria moderna, teve como consequências a emigração das populações das aldeias, para as cidades. O grande desenvolvimento da indústria, teve, como consequências já apontadas, o inconveniente da superlotação, a baixa de salários e a dispensa de grande parte de mão de obra. Foi esse o grande problema do séc. XIX. Com o crescente aumento de população, a cidade viu-se na necessidade de alargar, para poder dar abrigo a todos esses emigrados, e fazer, de certo modo, baixar o preço da habitação. Na evolução da cidade, os factores económicos não tiveram menos importânciaque os factores políticos. A concessão dum direito comercial por uma autoridade política, foi um factor de prosperidade para o aglomerado; facto notável o do desenvolvimento e influência das indústrias na expansão das cidades. Pouco a pouco principiam as especializações: uma família ou indivíduo, produzem certos objectos que trocam por outros. Com a revolução nas funções antigas o impulso acelerou-se: primeiro água, ar, homem e animal; depois a moderna força, o vapor, uma concentração de operários em volta da máquina. Se a máquina eléctrica tivesse sido inventada antes da de vapor, as consequências para o urbanismo teriam sido bem diferentes. O maquinismo é a característica da nossa época e são infinitas as consequências motivadas por ela, que abrangem o lado económico, político e até moral. Sob o ponto de vista de urbanistas, só temos um a reter; a concentração da população, que é dupla: na cidade e à volta da fábrica. Fora todos os mecanismos da civilização, o Porto teve também uma grande indústria agrícola: o cultivo e preparação dos seus afamados vinhos. A acompanhar esta indústria, veio, forçosamente, o comércio.


(Fonte:Arkitectura)

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Coliseu do Porto  (Porto História) escrito em segunda 24 setembro 2007 16:17

O antepassado do Coliseu.
O Salão Jardim Passos Manuel surgiu no início do século XX e começou logo a suscitar um enorme interesse e curiosidade, tornando-se o ponto de encontro da sociedade portuense da época. Era um lugar elegante, sofisticado, baseado nos jardins parisienses da época e proporcionava todo o tipo de entretenimentos: café-concerto, music-hall, esplanada e cinematógrafo. Nos anos que se seguiram, transformou-se na mais famosa Casa de Espectáculos do Porto.
O Nascimento do Coliseu.
Os primeiros esboços encontrados, que sugeriam a construção de uma grande Casa de Espectáculos, datam do ano de 1911. Ao primeiro impulsionador do projecto, João José da Silva, juntaram-se outros notáveis da cidade: Raúl Marques, Adélio Vaz, Conde da Covilhã e Joaquim José de Carvalho.
 
Inesperadamente, é numa época em que existe uma conjuntura mundial de extrema insegurança que o projecto avança. O Coliseu do Porto demorou 22 meses a ser construído e custou 11 mil contos, um elevado custo para a época.

Em 1937, surgem os primeiros esquissos do edifício pelo arquitecto José Porto, que rapidamente abandona o projecto. Seguem-se vários outros nomes. Yan Wills, arquitecto holandês fez esboços que ficaram sem efeito. E Júlio de Brito viu os seus estudos serem recusados pela Comissão de Estética da Câmara Municipal do Porto. Em 1939, Cassiano Branco assume o cargo de arquitecto dirigente e conta com a colaboração de Júlio Brito, com quem mais tarde viria a entrar em conflito.

O design de interiores não tem uma autoria muito clara. Charles Cicles, autor de diversos teatros de Paris, terá entrado no projecto e elaborou desenhos para o Coliseu mas, aparentemente, só os candeeiros e as portas foram aproveitados e o arquitecto nunca foi remunerado. Seguiu-se Mário Abreu que projectou o interior e fez alterações na sala principal, nas escadarias, na torre da fachada, que deveria ser envidraçada, e eliminou o néon verde, vermelho e branco que acompanharia todo o edifício.

Após uma série de vicissitudes e de passar por diversos arquitectos, engenheiros e empreiteiros, o Coliseu do Porto acaba por ser finalizado em 1941, num estilo moderno que de imediato se tornou uma referência arquitectónica. Um edifício vanguardista que veio marcar de forma indelével a baixa do Porto e o coração de todos os portuenses.
O Nascimento.
Em plena II Guerra Mundial, o Coliseu do Porto abriu as portas, com todas as honras e com todo o patriotismo inerente ao Estado Novo.

 

O Sarau de Gala constituiu um grande acontecimento cultural e social da cidade, com a presença das personalidades da época, num ambiente sofisticado e de grande elegância. Seguiu-se um concerto pela Orquestra da Emissora Nacional, dirigida pelo Maestro Pedro de Freitas Branco. Antes, porém, a actriz Aura Abranches viu o seu discurso ser interrompido por uma assistência de 3500 pessas que aplaudiam o nome de Salazar e lançavam vivas a Portugal. À uma da manhã acabou o concerto. Seguiu-se um baile de caridade e uma ceia, servida no hall.

Finalmente, a cidade do Porto passou a ter à sua disposição um espaço imponente e dotado de todos os luxos modernos. Um espaço aberto à arte e à cultura que se tornou o orgulho dos portuenses e dos portugueses.
Talentos de todo o mundo no palco do Porto.
Durante várias décadas, o Coliseu do Porto viveu sob as luzes da ribalta, proporcionando aos portuenses todo o tipo de espectáculos: ópera, dança, música clássica, música ligeira e popular, espectáculos de variedades, musicais, circo, festas de carnaval, reveillons, cinema, saraus e congressos. Todos aqueles que aqui acorriam ficavam espantados com a qualidade artística dos espectáculos que enchiam o nosso palco. Foram os momentos de glamour do Coliseu do Porto. Uma época irrepetível, de momentos inesquecíveis que lhe queremos relembrar.
 
Alguns destaques:

Ópera:
- Maio de 1945 – La Bohème e Rigoletto, pela Orquestra Sinfónica Nacional e pela Escola do Corpo Coral do Teatro São Carlos;
- Fevereiro de 1946 - Elixir do Amor de Donizettti e o Trovador de Verdi, pela Grande Companhia de Ópera Italiana;
- Anos 50 – Tosca de Puccini e Rigoletto de Verdi, pela Companhia Lírica Italiana, dirigida por Ino Savini;
- Dezembro de 1959 – Rosas de Todo o Ano e O Cavaleiro das Mãos Irresistíveis, pela Companhia de Ópera Portuguesa;
- 1990 – Ópera de Pequim.

Zarzuela:
-Anos 40 e 50 – estilo musical e teatral tipicamente espanhol e que criou os seus fãs também em Portugal. A primeira temporada começou em Novembro de 1945, pela Grande Companhia Sagi-Vela.

Dança:
- Anos 60 – Ballet of the Maquis de Cuevas (1961), London´s Festival Ballet (1962), Ballet de Câmara de Paris (1962); Ballet Nacional da Holanda (1967);
- Anos 70 – predomínio do Ballet Soviético.

A música clássica e as grandes orquestras:
- 1947 – France Ellegard;
- 1950 – dois meninos prodígio: Pierino Gamba, com a Orquestra Sinfónica Nacional, e Roberto Benzi que, com 11 anos, dirigiu a Orquestra Sinfónica do Porto;
- Novembro de 1954 – Ino Savini apresenta Maria João Pires, uma menina especialmente dotada para o piano;
- 1961 – V Festival Gulbenkian de Música.

Da Música Ligeira e popular à alternativa e intimista:
- 1951 – Amália Rodrigues;
- Fevereiro de 1959 – I Festival da Canção Portuguesa;
- 1966 – I Festival Musical do Porto, dividido em quatro tipos de música: moderna, dançada, folclórica e diversa;
- 1989 - 4 Pianos de António Vitorino de Almeida, integrado na Queima das Fitas, leva ao palco pianistas de craveira internacional;
- Trovante, Rui Veloso, Ala dos Namorados, Sétima Legião, Resistência e Mão Morta.

Musicais, revistas e variedades:
- 1950 – Ela Aí Está;
- Frangas na Grelha;
- Alto Lá com Elas;
- Põe-te na Bicha, Direita Volver!;
- Mamã Eu Quero.
A merecida comemoração.
Meio século após ter sido inaugurado, o Coliseu do Porto celebrou esta data de forma grandiosa, com uma série de iniciativas. O ponto alto das comemorações foi o Concerto Inaugural, que recriou o que tinha sido apresentado 50 anos antes, aquando da Gala de Abertura do Coliseu do Porto, desta vez interpretado pela Orquestra do Porto Régie-Sinfonia, dirigida pelo maestro Jan Lathan-Koenig. Este concerto trouxe de novo à sala do Coliseu a pianista Helena Moreira Sá e Castro, acompanhada pelo seu aluno e pianista consagrado, Pedro Burmester.
 
Para partilhar com o público a história e o património cultural e emocional do Coliseu do Porto, foi ainda exposta no Salão Ático uma mostra retrospectiva, composta por fotos, postais ilustrados, programas de espectáculos, moedas, objectos, incluindo a primeira máquina de cinema portuguesa, pertencente a Alves dos Reis, e o precioso espólio de partituras do Arquivo do Salão Jardim Passos Manuel.

A Orquestra Salão Jardim Passos Manuel, formada a partir da descoberta destas partituras, apresentou-se no Salão Ático, com um repertório invulgar, baseado nas músicas que outrora se tocavam e dançavam. Para completar e animar as comemorações estiveram ainda presentes o Quarteto João Calheiros e The Dixie Gang.

Um cinquentenário comemorado de forma grandiosa, à medida desta sala que a cada espectáculo se enche de emoção e nos enche de emoção.
A união faz a força.
O ano de 1995 foi aquele que marcou o momento mais decisivo de toda a história do Coliseu do Porto. Tudo começou quando a Empresa Artística SA, pertencente ao Grupo Aliança - UAP, proprietária do Coliseu, apresentou na Câmara Municipal do Porto um requerimento a solicitar o alargamento das actividades desta sala a conferências, festas, palestras, sermões, culto religioso e actividades de acção social. Foi o início da polémica.
 
A notícia da possibilidade do Coliseu passar para as mãos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) começou a espalhar-se. Os portuenses reagiram de imediato e um mar de gente encheu a Rua Passos Manuel, numa manifestação espontânea com uma grandiosidade sem precedentes na cidade do Porto e que surpreendeu o país inteiro. Aos populares, que gritavam “O Coliseu é Nosso”, juntaram-se intelectuais, artistas, políticos e instituições. Todos juntos lutaram contra o fim anunciado do Coliseu do Porto enquanto símbolo cultural da cidade.

Para recolher fundos para a compra do Coliseu, foi feito o espectáculo “Todos pelo Coliseu”, a 7 de Setembro. A adesão foi maciça, tanto por parte do público, como por parte dos muitos artistas que actuaram gratuitamente. Foi um espectáculo apoteótico que demonstrou o carinho e orgulho que os portuenses nutrem pelo Coliseu

Neste espectáculo surgem os primeiros sócios-fundadores da Associação dos Amigos do Coliseu do Porto (AACP), uma associação sem fins lucrativos, criada para assegurar o funcionamento e a gestão do Coliseu enquanto equipamento cultural de grande relevância para a cidade

Foram todos estes Amigos do Coliseu que garantiram que esta sala de espectáculos emblemática se mantivesse um espaço aberto à cultura. À cidade. Ao mundo. E não deixasse de ser a voz do Porto.
Um sonho reduzido a cinzas.
A 28 de Novembro todas as atenções estavam viradas para a modelo Claudia Schiffer, principal atracção do desfile de moda Portugal Fashion 96, que teve lugar no Coliseu do Porto. Horas depois, um incêndio deflagra, destruindo completamente a caixa do palco e provocando graves estragos na sala principal e nos camarins.
 
A sua origem continua indeterminada, mas as suas consequências foram dramáticas. Viveram-se horas de choque e consternação, que se fizeram sentir nas palavras de muitos amantes do Coliseu, como Eduardo Barros, que referiu que “…realmente quando foi o incêndio toda a gente ficou triste. O Coliseu é a nossa sala de espectáculos, a nossa porta em termos culturais, e isso marcou.”

Novamente, gerou-se uma cadeia de solidariedade, quer por parte das instituições – Governo, Câmara Municipal do Porto, Presidente da República – quer por parte de empresas e particulares que contribuíram com apoio financeiro e material para a reconstrução.

O Coliseu do Porto, numa recuperação surpreendente, voltou a abrir as portas no dia 12 de Dezembro, com o tradicional espectáculo de circo. O Coliseu tornava assim a renascer das cinzas para agrado de todos.
O renascer da alma grandiosa do Coliseu.
As obras de recuperação após o incêndio que deflagrou em 1996 revelaram algumas falhas e graves deficiências nas infra-estruturas. Como tal, procedeu-se a uma profunda remodelação do edifício, preservando ao máximo as suas características originais.
 
Simultaneamente, modernizaram-se os equipamentos e as tecnologias, passando o Coliseu do Porto a reunir todas as condições para receber todo o tipo de espectáculos, incluindo os de grandes dimensões.

Estas remodelações tornaram o Coliseu uma sala polivalente, bem apetrechada e grandiosa, o que lhe permitiu ganhar um novo fôlego, reforçar a programação artística, recuperar audiências e voltar aos seus momentos áureos.

O Coliseu reabriu oficialmente as suas portas no dia 24 de Novembro de 1998, com a apresentação da Ópera Carmen, de Bizet, numa co-produção com o Círculo Portuense de Ópera e a Orquestra Nacional do Porto.

Em 2001, ano em que o Porto foi Capital Europeia da Cultura, o Coliseu consagrou-se definitivamente como património cultural por excelência. Um espaço que merece um aplauso não só de todos os portuenses, como de todos os portugueses.
O palco da cidade e do mundo.
Actualmente, o Coliseu do Porto é a maior sala de espectáculos do país e uma das melhores da Europa.

Todos os grandes artistas nacionais e internacionais têm no Coliseu do Porto um palco obrigatório. Porque esta sala torna cada momento inesquecível, dando brilho a cada actuação e alma a cada espectáculo.

 

Com um cartaz recheado de estrelas de todas as artes do espectáculo, o Coliseu do Porto atrai todos os anos centenas de milhares de espectadores, enriquecendo culturalmente os portuenses e dando uma nova vida ao Porto.

Sempre que se abrem as cortinas do palco do Coliseu do Porto, sabemos que vamos ter diante de nós o mundo ao vivo. O mundo num aplauso. Momentos únicos:

2002:
- Maria Bethania (20 de Janeiro)
- Musical Amália de Filipe La Féria (5 de Fevereiro)
- Scorpions (18 de Março)
- O Lago dos Cisnes Tchaikovsky Ballet Nacional da Ópera de Kiev (3 de Abril)

2003:
- Ney Matogrosso (3 de Fevereiro)
- Placebo (6 de Maio)
- Broadway O Musical dos Musicais (17/18 de Setembro)
- Joaquín Cortes Live (20 de Outubro)

2004:
- Maria Rita (8 de Janeiro)
- Aida (15/16 de Março)
- Paco de Lucía (12 de Setembro)
- Stomp (28/29/30/31 de Outubro)
(fonte:http://www.coliseudoporto.pt)
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