

Boavista Futebol Clube é um clube desportivo português com sede no Porto. Conhecido especialmente pela equipa de futebol
profissional mas sempre conhecido como um clube bastante
eclético, de momento com dezasseis modalidades, tanto
profissionais como amadoras, das quais mais se destacam o futebol,
o boxe, o xadrez e o boccia. O seu feito de maior envergadura foi a
conquista do Campeonato Nacional de
Futebol na
época 2000/2001
Historial
Clube com 103 anos de existência,
foi fundado em 1 de Agosto
de 1903 por um grupo de
ingleses, colaboradores de uma fábrica Inglesa, a Graham,
que se associaram a outros Portugueses residentes na área
Ocidental do Porto.
A designação de então
foi "Boavista Footballers", tendo a partir de 1910 adoptado a actual -
Boavista Futebol Clube - após uma cisão com os
elementos ingleses, que pretendiam jogar aos sábados
(prática corrente em Inglaterra) mas que
não se adaptava ao nosso país, já que o
sábado era um dia normal de trabalho.
Em 11 de Abril
de 1910 é inaugurado
o estádio de então, no local das actuais
instalações.
Segundo elementos históricos, o
Boavista Futebol Clube foi o primeiro clube em Portugal a introduzir esta modalidade, que é o
futebol, tendo inclusivamente sido o primeiro clube a
constituir-se como profissional, em Janeiro de 1933.
Em 1972, o Estádio
sofre uma profunda remodelação, com o arrelvamento e
construção de novas bancadas, que proporcionaram
melhores condições, num projecto que envolveu muitos
dos seus destacados e carismáticos dirigentes de
então, onde já perfilavam o actual Presidente da
Assembleia Geral, Sr. Olímpio Magalhães, e o
Presidente Honorário, Major Valentim
Loureiro.
É a partir dessa década que
o clube dá um salto decisivo no seu crescimento desportivo e
infraestrutural, conquistando até à data 1 Campeonato
da I Liga, 5 Taças de Portugal e 3
Supertaças.
É também na década de
70 que o Boavista inicia a sua
epopeia nas diversas competições da UEFA, tendo, até
à presente data, marcado 25 presenças e disputado 99
jogos.
Assim nasceu uma nova era denominada de
Boavistão, liderada pelo Major Valentim Loureiro, que com a
sua sagacidade e inteligência, transformou e criou as
condições para a projecção actual do
clube, por todos reconhecida.
Sucedendo em 1997 ao pai,
Major Valentim
Loureiro, o actual presidente, Dr.
João Loureiro, tem imprimido ao clube uma dinâmica
traçada por objectivos muito precisos, assentes no
investimento certo, nos equipamentos desportivos e na
política de gestão do futebol.
O Boavista Futebol Clube iniciou a
construção do "Estádio do Bessa Séc
XXI" em Junho de 1998, com capacidade
para cerca de 30.000 espectadores. O novo estádio foi
projectado para ficar concluído no ano do Centenário
do clube e foi palco de vários jogos do Euro 2004.
No ano de 2000, o clube iniciou
uma estratégia de constituição de um grupo
empresarial desportivo. Formou uma S.G.P.S. e uma sociedade
anónima desportiva (SAD), para gerir todo o futebol
(profissional e formação), e logo no seu primeiro
exercício desportivo conquistou brilhantemente para o clube
o seu primeiro Campeonato Nacional da I Liga de Futebol, tendo
estado presente na 2º fase da Liga dos
Campeões em 2001/2002 e nas meias-finais
da Taça
UEFA no ano seguinte.
O extraordinário crescimento dos
últimos 30 anos fez do Boavista um adversário temido
e respeitado em Portugal e na Europa.
Além dos sucessos desportivos que
conheceu nas últimas décadas, o Boavista FC é
um clube de personalidade bastante distinta em Portugal, desde o
símbolo axadrezado, ao equipamento nos mesmos tons, ao
estádio de estilo britânico num país onde
impera o estilo olímpico, o Boavista é uma "marca
à parte" em Portugal.
O Boavista Futebol Clube, clube
eclético com 16 modalidades em actividade, e com cerca de
24.000 associados, é hoje um pólo gerador de
desporto, de e para todos, independentemente da idade, sexo,
raça ou religião.
O
Boavistão
O PRIMEIRO Boavistão, nos anos 70,
ficou aquém da radiosa aventura que conheceu a primeira
página em 91/92, com eliminação do Inter em
S.Siro (0-0 depois de uma vitória por 2-1 no Bessa). O
Boavistão que começou a crescer nas mãos de
Manuel José na década de noventa fechou o
século XX com o título de Campeão Nacional e,
hoje em dia, não há treinador na Europa (por mais
obscuro que seja) que não esteja familiarizado com o
esquisito xadrez de uma camisola que levou mais de trinta anos a
descobrir o padrão ideal. A história mostra-nos que o
“The Boavista Footballers”, a primeira versão do
clube, fundada a 1 de Agosto de 1903, equipava de camisa preta e
calção preto e era o orgulho de alguns jovens
ingleses e portugueses, moradores no bairro da Boavista, que
ganharam a paixão pelo futebol ao observarem as partidas
disputadas pelos mestres e técnicos ingleses da
Fábrica Graham.
Dois dos jovens, Harry e Dick Lowe,
receberam do pai uma bola importada da Inglaterra e, encontrado os
companheiros e o terreno adequados, lançaram as bases para a
criação do clube. A Influência inglesa na
colectividade recebeu “sentença de morte” em
1909, quando alguns dos jogadores britânicos, respeitando os
preceitos da Igreja anglicana, se recusaram a jogar aos domingos.
Reuniram-se então os sócios para resolver a
situação, naquela que se pode considerar a primeira
assembleia geral. A votação foi claramente a favor
dos jogos ao domingo e o rosto da Direcção do clube
alterou-se, passando a ser composta por portugueses. Em 1910, o
Boavista Footballers desapareceu para dar lugar ao Boavista Futebol
Clube.
Em 1911 foi inaugurado o campo do Bessa e
o clube começou a viver dias de expansão,
interrompida poucos anos depois. A I Guerra Mundial teve
início em 1914 e o Boavista viu partir os jogadores ingleses
para defenderem a pátria, dos quais alguns não
voltaram a ser vistos. As camisolas voltaram a assunto do dia nos
anos 20, com o aparecimento do calção branco, mas
ainda não seria desta que a equipa encontrava a sua
identidade. A nova década trouxe ventos de bonança e
o clube ampliou o número de modalidades e intensificou a
actividade internacional, disputando vários jogos com clubes
estrangeiros que demandavam ao Porto, casos do Real Madrid, Celta
de Vigo ou Vasas de Budapeste. E os jogadores boavisteiros passaram
a ser chamados à selecção, como o
guardião Casoto e o defesa Óscar de
Carvalho.
Com tanto positivismo, a cor negra e
fúnebre das camisolas começou a incomodar muita
gente. O Boavista equipou às riscas verticais pretas e
brancas e calção preto, mas ainda não estava
bem. O preto continuava demasiado dominante e chegou-se
então ao extremo. Do sombrio passou ao berante, com
ostentação, em 1928, de uma camisola com riscas
verticais vermelhas, brancas e azuis, um calção preto
e meias às riscas horizontais brancas e pretas.
A mudança não agradou a
ninguém e mereceu muitos comentários irónicos
da Imprensa. Então, Artur Oliveira Valença foi ver as
modas a França e regressou obstinado a fazer mais uma
alteração no visual do Boavista. O presidente, um
homem de admirável bagagem cultural, fundador do jornal
desportivo “Sports” e promotor de espectáculos
desportivos, observou uma equipa francesa que alinhava com camisola
xadrez. Como a mesma correspondia às cores preto e branco do
seu clube, resolveu copiar o modelo.
Começou aí a história
aos quadradinhos do Boavista. O dia 29 de Janeiro de 1933 é
como um segundo nascimento da colectividade. O Boavista bateu o
Benfica por 4-0, na estreia do equipamento axadrezado, do novo
emblema (o actual) e, sobretudo, dos jogadores profissionais, pois
foi a primeira equipa a aderir à
profissionalização, feito que lhe valeu uma
suspensão de um ano. Desde lá para o Boavista Futebol
Clube, abriu-se uma porta e a história, agora escrita por
João Loureiro e Jaime Pacheco, ganhou um novo rumo à
entrada do século XXI.
Panteras
Negras
Como é óbvio, para um nome
já com o historial, a identidade e a perseverança que
é o caso dos PANTERAS NEGRAS, exigia-se alguém
merecedor de autoridade, privilégio e sabedoria suficiente
para dar a conhecer qual a origem da claque do B.F.C. Logicamente
que tais atributos naturalmente teriam que recair sobre os seus
fundadores… Foi assim que numa noite fria de Inverno,
sentados a uma mesa do salão “Angola” na rua da
Constituição, alguns membros actuais dos P.N.
juntamente com dois dos fundadores da claque ( Yuri e Jorge Ribeiro
) decidiram reavivar memórias e factos importantes que
explicariam como tudo teria começado. Da conversa mantida
nessa noite e com alguns tragos de cerveja à mistura, sai a
nossa história oficial.
Vivia-se então o ano de 1984,
quando 4 jovens Boavisteiros de seus nomes, Luís Manuel,
Jorge Ribeiro, Armando Simas e Jorge Rui Almeida decidiram criar
algo de diferente e nunca antes visto para os lados do
Bessa…decidiram criar um grupo organizado de apoio ao
Clube…
Impulsionados pelo jogo Boavista x
Dínamo de Moscovo, no qual o velhinho estádio do
Bessa se encontrava a abarrotar e a Bancada Sul situada
atrás de uma das balizas, esporadicamente uniu-se a uma
só voz para apoiar o mágico xadrez, estes jovens
decidiram de uma vez por todas por mãos à obra. A
primeira dificuldade encontrada, foi em saber qual o nome a dar
à claque, mas cedo tal dilema se dilui, já que na
altura existia uma espécie de ritual, no qual os adeptos
tinham por norma lançar uma pantera cor de rosa em peluche
para o relvado e o guarda redes da época (o mítico
Alfredo) retribuía o gesto , lançando de regresso a
dita pantera para a bancada. Visto as cores do clube serem o preto
e o branco, chegaram à conclusão que PANTERAS NEGRAS
seria o nome a adoptar.
Basicamente, foi assim que no dia 7 de
Maio de 1984 estava decididamente e oficialmente criada a claque
P.N.. Pede-se então apoios à direcção
do clube, a qual cede ao grupo um espaço próprio, que
seria então a primeira sede da claque e que se situava na
Av. Da Boavista, mais concretamente na cave do antigo
edifício do Bingo da colectividade, transformado na altura
também na sede do próprio Boavista. O vice -
presidente do clube oferece uma bateria de automóvel (tinha
um stand) que servia de fonte de alimentação a uma
peculiar e banalmente chamada “gaita”, objecto esse que
emitia um som que se tornaria moda no apoio ás equipa por
esse país fora. Na altura estava também em uso a
utilização de extintores, que por vezes eram
“gentilmente” cedidos pelo Centro Comercial Dallas.
Organizava-se um sector muito particular no seio dos PN, os
denominados “Bombos do Bingo”, que como o nome indica,
tratava-se do pessoal que ia para o futebol munido do seu bombo e
pronto para fazer a festa. Em suma, as bancadas do Bessa
gradualmente começavam a ganhar outro dinamismo que
até então não acontecia.
Estava portanto, na hora de alargar os
horizontes e espalhar essa festa de apoio ao BFC pelos restantes
estádios do país. Foi assim que surge a primeira
deslocação PN, mais concretamente no jogo Benfica x
Boavista F.C no estádio nacional e com ela surgem as
primeiras aventuras…Na véspera da partida, faltavam
quinze contos para pagar a 2ª camioneta e a
direcção do clube não comparticipava com
qualquer quantia, foi então que alguns elementos dos PN se
deslocam a casa do Major Valentim Loureiro (Presidente do Boavista
F.C) que se encontrava de cama adoentado, a fim de lhe pedirem um
contributo. Ao seu estilo bem conhecido, o Major vira-se para um
dos rapazes presentes, pede-lhe que lhe chegue as suas
calças e rapidamente saca dos quinze contos
necessários e entrega-os em mão ao dito rapaz, sem
antes de os alertar que iria averiguar se o dinheiro seria empregue
para a causa devida. No dia seguinte, à hora da partida, o
Major manda um dos seus filhos tirar a prova dos nove, não
fosse o diabo tece-las…Os dados estavam lançados e a
mística começava a vir ao de cima. O grupo mostrava
cada vez mais dinamismo e organização, o colorido
tomava posse das bancadas, já que surgia a moda das
bandeiras e internamente existia a competição para
ver quem fazia a maior e a mais bonita. O pessoal dos bombos,
adoptava o capacete de mineiro, que atribuía um toque
pitoresco aquela molde humana. As iniciativas sucediam-se em prol
do engrandecimento do nome PANTERAS NEGRAS e é disso exemplo
flagrante o leilão das luvas pretas do jogador João
Alves, que fez render à claque a módica quantia de 70
contos. O grupo possuía também nas suas fileiras
pessoas muita válidas na angariação de apoios
, como por exemplo, o Jorge Loureiro e o Bernardo, filhos do Major
e de Pinto de Sousa respectivamente. Contavam ainda com o
patrocínio das “Sapatarias Teresinha”, que era
na altura também o patrocinador do clube e que entre outras
coisas cedem um lençol gigante à claque. Entre muitos
marcos importantes nos primeiros anos de vida dos Panteras, os
fundadores fazem questão de destacar a viagem a
Portimão em 85 (aparição pela primeira vez da
claque local, de seu nome “Os Marafados” ), a
deslocação a Águeda, na qual se deram grandes
confrontos com adeptos locais em pleno terreno de jogo, da viagem a
Setúbal, que com eles viajou uma psicóloga com o
intuito de estudar os comportamentos dos elementos da
claque…
Na primeira viagem ao estrangeiro, mais
propriamente a Florença (Itália), alguns Panteras
viajaram no voo charter do clube, enquanto outros saíram
directamente de Elvas, onde o Boavista tinha jogado para o
campeonato, para Itália. Contam o episódio hilariante
de um elemento da claque, que com o medo de ser apanhado pelo
detector de metais do aeroporto, vai á casa de banho
desfazer-se de umas apetecíveis latas de atum.
Falam também da
recepção dada pelos famosos “carabineri”
em terras transalpinas, que desde que chegam a Florença,
jamais lhes deram um palmo de liberdade. Relatam um jogo em casa
contra o Futebol Clube do Porto, no qual pessoal dos Panteras
vão para o relvado a fim de filmarem a festa das bancadas e
funcionários do clube quase que os agridem, julgando
tratarem-se de espiões de outros clubes…Em meados de
1989, dá-se uma espécie de passagem de testemunho e
outros elementos da claque formam uma nova direcção.
Entretanto a sede do grupo muda-se para o estádio do Bessa,
mais concretamente paredes meias com o departamento de boxe. Surge
também nessa época a equipa de futsal PANTERAS
NEGRAS, que contava com o patrocínio das “Sapatarias
Teresinha” nos seus equipamentos, modalidade essa que mais
tarde viria a ser adoptada pelo próprio clube. Nessa fase,
começava a engrossar fileiras uma nova geração
de indefectíveis Boavisteiros, mais virados para o movimento
e o panorama Ultra, mas igualmente com os mesmos pressupostos de
sempre, engrandecer e elevar bem alto o nome dos PANTERAS NEGRAS e
do BOAVISTA FUTEBOL CLUBE!!
Comentários