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Fábrica de Ceramica do Cavaquinho e S. Antonio de Vale da Piedade  (Porto História) escrito em quarta 20 junho 2007 07:07


Musica: G.N.R. 

Fábrica do Cavaquinho

A história desta fabrica não se poderá nunca escrever, sem que se indissocie a sua ligação com as três fábricas: Fábrica do Cavaco, do Monte Cavaco e do Cavaquinho todas em Vila Nova de Gaia, com os mesmos proprietários e com peças de faiança com marcas bem distintas.

No entanto as Fábricas do Cavaquinho têm merecido grande atenção por parte dos estudiosos sendo de consenso que se trata de duas unidades, a mais antiga dedicada ao fabrico de faiança e uma segunda, mais moderna, que iniciou e desenvolveu o fabrico da louça de pó de pedra em Portugal, à moda Inglesa.

A Fábrica do Cavaco foi estabelecida na Quinta de Valle de Amores, em 1768, vulgarmente conhecida por Cavaquinho. A existência desta fábrica foi ofuscada pela vizinha criação de uma segunda com maior visibilidade histórica.

Procedeu-se assim à união das duas fábricas, passando ambas a laborar apenas na louça de pó de pedra, em reconhecimento do sucesso verificado.
Merecendo a aprovação Real de Sua Majestade dada a perfeição da sua louça e exportou bastante para o Brasil, tendo o seu período áureo entre 1793 e 1808.

Contudo, a concorrência inglesa e as invasões Francesas, penalizaram-na obrigando-a praticamente paralisar depois de 1808, reabrindo em 1817.

Em 1826 vendem apenas para o país o que limitava esta indústria que tentava reorganizar a produção.

Entra na década de trinta mais uma vez em crise e encerra, passando a albergar nas suas instalações outras indústrias.

 

Fábrica de Santo António de Vale da Piedade

 

S.to António de Vale da Piedade fundada em 1784 pelo Genovês Jerónimo Rossi, vice-cônsul da Sardenha no Porto, na quinta de Vale Piedade em Vila Nova de Gaia teve um período inicial de grande desenvolvimento industrial ficando como baluarte no fabrico nacional de faiança relevada, em concorrência com a louça inglesa.

Competiu no fabrico de azulejos, com a fábrica do Cavaquinho e, na modelação de peças de faiança, com a de Miragaia.

O esmalte utilizado por esta fábrica é bem distinto do das fábricas congéneres e a ornamentação em relevo só foi ultrapassada, mais tarde, pela que realizou a fábrica A. A. Costa e C.a das Devesas.

Nesta fábrica realizou Soares dos Reis algumas das suas esculturas mais significativas.

Rossi exportava bastante para a América tendo, como os demais, sofrido um importante golpe com as perturbações causadas pelas invasões francesas e pela posterior abertura dos mercados nacional e ultramarino aos produtos ingleses.

Em 1814 encontra-se em meia decadência e acaba por falecer, e ser sepultado no Porto. Em 1821 as suas filhas continuam a explorar a fábrica e pedem renovação do alvará que obtém em 1825, estando a fábrica a ser explorada por Francisco da Rocha Soares, de Miragaia, até 1833.

Em 1852 encontra-se na posse de João de Araújo Lima, um dos industriais mais dinâmicos da sua época, fundador da Associação Industrial Portuense e acolhe muitos operários especializados que deixaram a unidade de Miragaia quando esta encerrou.

Posteriormente à morte de Araújo Lima (1861), já sob a direcção de João do Rio (seu cunhado) introduziram-se modificações que levaram à produção de peças de ornamentação em relevo para interiores e exteriores.

Depois de vários arrendamentos, ardeu em 1886, indo alguns dos seus operários para as Caldas, por iniciativa de Feliciano Bordalo Pinheiro. Foi um ano depois adquirida e reconstruída por António José da Silva, entrando assim em nova fase de laboração.

Continuou a renovar-se e a laborar até cerca de 1930.

 

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